6 de junho de 2010
Sensação de impossibilidade
- Não! Não sinto sequer que alguma vez tenha chegado a ganhar.
Por isso, acho que não posso sentir que perdi.
Sinto esta coisa chamada sensação de impossibilidade E é estranho, porque ela é pacífica. Passiva até!
E nunca gostei deste sentir sem sentir.
Como se não tivesse sabido de nada.
Como se não tivesse magoado cá dentro.
Como se ainda fosse tudo possível, apenas mais distante. Apesar desta proximidade tão maior do que ontem.
Durante o “Show” no anfiteatro, caiu uma pena das plumas que usavas.
Andou, rodopiou, voltou a voar. Pousou perto de mim. Fugiu de novo. E, depois passou bem em frente aos meus olhos.
Lancei a mão no ar e agarrei-a!
- Ela provocou!
-Não queria!
Mas acertou mesmo dentro de mim!
Não tive como não a agarrar com força…
Finalmente conheci a tua cor. Encarnado.
Um vermelho vivo! E, tive receio que o meu coração tivesse deixado de ser azul… tive realmente muito medo.
Guardei-a comigo. E, fazem um bonito par. De cores intensas.
Porém, não as imagino misturadas. Apenas, juntas na sua total perfeição. De cor realmente intensa.
-Misturadas, teriam um tom diferente que não combina nem comigo, nem contigo.
As nossas cores são livres. Com essa liberdade de mar e sangue sem rédeas… livre como o pensamento.
E o meu, que pensamento livre tenho eu, que não me basta o que vejo.
E é tanto mais o que eu procuro em ti.
Mais do que o salto na dança, as mãos presas na cintura enquanto me seguram no ar…
Tanto mais do que aquilo que ainda tive.
Nunca um texto foi tão demorado.
Só me lembra a tal frase “como dizer um coração fora do peito…meu amor transbordou e eu…sem navio…”**
Faz muito vento nesta ilha. 3 dias!
Três dias de vento.
Sobra-nos o sol aberto quando resolve aparecer.
É o bastante para mim, breve ilusão de sol quente pelo corpo todo. Apenas o suficiente para aquecer enquanto o vento sopra e faz frio.
Ouço Bethania. Mar ali à frente. Sol a aparecer só quando lhe apetece.
Sensação de impossibilidade forte, outra vez.
Sei que chegas daqui a 30 minutos e lembro uma frase do “Principezinho”, porque já começo a ser feliz. E quanto mais se aproxima esse espaço de tempo mais inquieta fico (…) apesar de ao chegares, não te sentares mais perto, apenas num lugar onde me podes olhar.
E é sempre assim que ficámos. Num olhar longo e profundo.
Vale a pena... Descobri o verde escondido no fundo dos teus olhos.
É quase uma tela que se aprimora.
L. Blue
** Mafalda Arnauth - Flor de Verde Pinho
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