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25 de setembro de 2012

Sem coincidências...só para registar.


"O primeiro dia do resto das nossas vidas".... essa frase batida e retocada, cantada, feita poema, falada...sentida.
A mesma frase. O mesmo significado.
Hoje, depois das coincidências exactas, das circunstancias, da casualidade, da espera, do vidro grande fechado e da paisagem à espera, estamos juntos.
Prendi a respiração com medo e entreguei a mão aberta enquanto esperavas: mão estendida, levantada no ar na altura da barriga, com medo de cair vazia.
Suspirei e olhei-te de novo... já foram mil vezes.
"Damn, you're a cinema...I could watch you forever."
Mãos dadas com ternura fomos caminhando. Cócegas na palma da mão esquerda.
Sorrimos em mútuo consentimento.



L.Blue

23 de setembro de 2012

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"Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo."

Mia Couto
Poema da despedida, no livro 
"Raiz de orvalho e outros poemas"


*Via Mia Couto (Facebook)

Meu Bem Querer



Meu Bem Querer,
Hoje olhei as minhas mãos. Estavam pousadas na mesa redonda sobre a toalha verde com bolinhas douradas. A minha mão direita segurava um cigarro. A outra, descansava sobre a mesa, distraída. E, distraídos, os meus olhos repararam que estavam envelhecendo... As minhas mãos estão envelhecendo.
Com elas, vou eu e todos os meus carinhos. Os meus dedos apertando os teus. E o tempo.

Corre o ano de 2012. Chegou Setembro outra vez.
(Tempo no entretanto. Tanto!)
-Esqueci-me de ti... foi sem querer.
Não te amo mais com paixão. Amo com Amor. Como se ama um filho que parte em viagem.
Esqueci-me de ti, mas não de nós.

Há uma grande diferença entre uma coisa e a outra.
Hoje, compraria uma prenda. Hoje faria uma festa no teu cabelo. Hoje faria imensas coisas. Mas hoje, foi ontem. Há muito tempo.

Meu Bem, não esqueci o essencial. Amo com o coração a imagem, a recordação, o que foi. E, amando o que foi, recordo a importância das coisas que já foram.
O Azul. O Imenso. A falta dele. A vontade de ser melhor. África e EU inteira de novo. Juntas.

Ouço "Don't you remember"* com o som da ventoinha ondulando frescura aqui do lado, tentando buscar um frio que não acontece porque reside em casa, lá longe... no Outono que agora começa, no Inverno que está para vir, nas noites frias à beira mar, no norte.
Aqui, nesta cidade fútil, de um país que tanto amo, peço a África que cuide de ti. Te trate bem. Te ofereça o que não vou mais oferecer-te. Que te acaricie com mãos sempre jovens... e que nunca deixe o teu coração sem amor.
Peço-lhe por nós, separados. E peço-lhe, separadamente, que nos trate bem.
"Se fosse fácil.... !"
And "Life goes on" just like you said BluEyes...



L. Blue