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19 de novembro de 2014

II



O nosso amor é assim
Passeia-se devagarinho entre estes dois países
Voa entre os meses de inverno pelas vezes que forem precisas
Encontra-se à mesa nos sabores que as nossas bocas gostam
Passeia-se a pé, pelo mar, subindo e descendo ondas
Voa.
As vezes que forem precisas.
Voa.
Somos assim.
Incomparavelmente diferentes.
Um guião formato romance caseiro e um super guião de comédia divina.
Somos.
Queremos de nós mesmos o outro.
O nosso estar é este.
Estar perto mesmo longe.
Saber estar longe quando nos queremos perto.
Saber bem quando estamos longe.
Saber melhor quando nos passeamos pelo corpo um do outro.
No recanto de cada braço, de cada perna.
Joelho sobre joelho.
O meu cabelo solto e os teus dedos pela periferia do meu pescoço,
Encontrando-me linhas e curvas. Rectas e fundos.
Mais perto do coração.
Tua língua intimidada pelo meu queixo elevado.
Teu nariz penetrando meu umbigo.
Circulo perfeito de encontro.
Guião sempre inacabado.
Divino.
Romance. Comédia.
Acção.
Somos inevitáveis.
Esdruxulamente insuportáveis quando nos queixamos da vulgaridade do mundo.
Incrivelmente mal dispostos quando nos remetemos ao silêncio.
Puxo-te para cima. Queres estar para baixo.
Levo-te a voar. Queres uma prancha.
Ofereces-me o concerto privado. Quero a viagem à muralha da china.
Encostas o teu nariz no meu pescoço.
Esbarras na minha boca o beijo gelado de inverno. Saliva, resto de café no lábio superior, sabor a ti.
Somos de novo.
A gargalhada absurda de quem não procura acertar.
O efeito tardio do cansaço do dia corrido num sofá marcado pelas nossas formas entrelaçadas, como fita enrolada para presente grande de natal.
Olhamo-nos.
Verde. Castanho meu. Dois mundos. Nada a dividir.
Adormeces-me. Adormeço-te.
No entretanto, discutimos baixinho...
No escuro, escondidos, espreitamos sorrisos.
Somos.
Pureza grande de quem não quer ser nada.
Parecer nada.
Inventar nada.
Escrever nada....

L.Blue