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14 de fevereiro de 2013

Não falta AMOR...falta AMAR!







"Time is gonna take my mindAnd carry it far away where I can flyThe depth of life will dimMy temptation to live for you
If I were to be aloneSilence would rock my tears'Cause it's all about love and I know betterHow life is a waving feather
So I put my arms around you, around youAnd I know that I'll be leaving soonMy eyes are on you, they're on youAnd you see that I can't stop shaking
No, I won't step backBut I'll look down to hide from your eyes'Cause what I feel is so sweetAnd I'm scared that even my own breath
Could burst as if it were a bubbleAnd I'd better dream if I have to struggle
So I put my arms around you, around youAnd I hope that I will do no wrongMy eyes are on you, they're on youAnd I hope that you won't hurt me
I'm dancing in the roomAs if I was in the woods with youNo need for anything but musicMusic's the reason why I know time still existsTime still exists, time still exists, time still exists
So I just put my arms around you, around youAnd I hope that I will do no wrongMy eyes are on you, they're on youAnd I hope that you won't hurt me
My arms around you, they’re around youAnd I hope that I will do no wrongMy eyes are on you, they're on youThey’re on you, my eyes"

6 de fevereiro de 2013

*


* De Rodrigo Leão "A valsa do equador"
Keep music inside!

Dezembro





Algures em Dezembro.

Sonhei que escrevia. Era fácil.
Nas palavras, a subtileza, a inteligência, o sentido exacto do que se quer dizer.
Sonhei que te escrevia.
E falava de mim. E do meu país.
Da saudade. Da relatividade da distância. Da noção de probabilidade e de tudo o que tenho, ainda, para explicar.
Mantenho as palavras do nosso primeiro texto e “acredito em Anjos da Guarda”.
Meu amor, perdi o entusiasmo. Sei que depois disso vem a tristeza profunda e depois da tristeza vem, necessariamente, o desamor…
Não sei se quero o desamor.
Sonhei-te! Sonhei-te por 220 dias, mais coisa menos coisa..
Mas, não fosse a intensidade do tempo e a sofreguidão do que não se possui!
Adiante!
Sonhei-te!
Fomos tudo o que não pudemos. E, agora, podendo quase tudo, resta-nos o desamor do futuro próximo, ainda antes da viagem, permanecendo pelo meu regresso.
Encontramo-nos aqui.
Sempre nos podemos encontrar aqui, onde os nossos nomes são cores e onde ninguém nos incomoda.
O local do nosso primeiro beijo. O único local onde parafraseamos o futuro e dissemos Amo-te.
Talvez possamos amar-nos de novo nas palavras ditas, através delas e, por elas....
A palavra dita perpetua-se.
De nós, nem um vestígio no mundo. Nem mesmo o fruto falado. Nem tão pouco a recordação banal… muito para dizer (…)
De nós, nada.
Fiz a mala e garanti o peso sem excesso da mercadoria.
Levo apenas o necessário. O que não pode ficar.
A viagem será longa, como desejei. E, sabias, também, que haveria de IR. Nunca te menti. Haveria de IR. E, desejo novamente essa ida.
Outro continente talvez…!
Índia no meu caminho. E, Índia no meu mapa de estrada.

Só não posso ficar. A permanência incomoda-me e não cresço na passividade do passaporte.

Outro rosto, quem sabe.
Nunca a chave na porta e o chegar a casa com barulho no corredor, a azáfama em frente da TV ou, o filme de sábado à noite passando na tela. Nunca o dia normal.
Busco-me.
-Não me encontro nessa casa! Não me encontro.
Encontrei-me em ti. Quase. Fica melhor desse jeito. Quase me encontrei em ti!
Quase o desejo da azáfama, quase o barulho, quase um filme na tela, quase a chave na porta, quase o amor. Quase. Mas, não tinha de ser. E, se tivesse, teria ido na mesma. Mais tarde, mas teria.
- “Perdoa. Não posso ficar…” teria repetido e sentido, tal qual Florbela Espanca, procurando mais...

Apesar de tudo, escrevo e não sofro, como no sonho, com a exactidão do que se sabe, do que se diz para dentro.
É, inesperadamente (quase) fácil recordar-te bonito, esperando do outro lado do portão… é quase reconfortante saber-te esperando do outro lado do portão. A música dos Titãs “porque eu sei que é amor” tocando e, o sofá enorme da sala.
As minhas mãos quentes e a tua cabeça caída no meu colo. O jantar na varanda e as velinhas acendendo a noite. Gosto de ver-te usar o talher… Muito para dizer e, mais ainda no entretanto.
Gosto, também, dessa expressão “mais no entretanto”. De pensar na serenidade da palavra E.N.T.R.E.T.A.N.T.O. Tempo que foi e, que não existe. Ou, que existe, mas não se palpa. Nunca busquei o significado da palavra no dicionário, mas conheço-a. Entretanto. Mia Couto talvez lhe chamasse Entremuito…  
Fomos tempo no entretanto…amor.
Fomos tempo.
Tempo.

L.Blue

4 de fevereiro de 2013

3 de fevereiro de 2013





Acordei triste. Sonhei com coisas de criança. Coisas “não minhas”. Acordei e dormi triste.
Ainda não reconheço este quarto como meu e, por isso, também estranhei o sítio onde estava. Primeiro, julguei-me no quarto em casa dos meus pais, depois na outra casa no Palmarejo mas, porque estava quente e tinha luz, percebi que estava na nova morada.

Triste (...) por essa pequenez dos actos. O desafecto. Essa falta de educação que, felizmente, na minha terra não é frequente.
-Ah! Como sinto falta do “Bom Dia Menina, sai um cafezinho?, naquele sotaque  nortenho!
Mas, é a minha África. Está quente lá fora, apesar do dia estar um pouco ventoso. E, terei de sair para a rua. O sol está aberto.

Sentei-me de imediato para escrever, eram oito da manhã e sentei-me para escrever. O café ainda vai a meio e acho que ainda não acordei definitivamente. Mas, tinha palavras comigo.
Quero comprar uns sofás. E uma mesa de centro, branca, para colocar um anjo da guarda. A TV não me faz falta, ainda por cima numa altura em que apenas transmitem notícias enfadonhas e desanimadoras. Há quem lhes atribua verdade eu, considero-as desonestas. Não se planta uma flor dizendo que vai chover fortemente. Alguém dizia, "não importa vencer a guerra mas como se travam as batalhas".

Ontem acordei com uma mensagem tua. Não esperava. Acordei contigo. Mas ontem, não estava sol como hoje. Parecia Portugal. Dia cinzento e com rajadas de vento. As árvores, aqui na frente, abanavam, abanavam…
Ouvem-se sempre as senhoras com os pregões: “Banaaaaaaanaaaaa”, ”Papaaaaapaaaaiaaaaa” e as vozes das crianças, ali mais ao fundo, na escola. Não se percebe o que dizem. Mas ouvem-se bem.

A casa ainda está muito vazia. Mas sinto-a “leve, leve” como dizem os Santomenses. A pouco e pouco, transformo-a em Casa. 

Quantas vezes, esperei manhãs, tardes, dias inteiros até escurecer, que viesses. Como hoje.
O dia começa solarengo. Ventoso, mas cheio de sol. E espero que chegues. Como as crianças quando lhes prometemos sorvete na Cruz de Papa e aguardam ansiosamente o momento. Depois, tal como elas, quando a hora tarda e os gelados fecham, entristeço e, entristeço.
Se por horas a fio começo a ser feliz (relembrando A. Saint- Exupéry na sua frase “se me disseres que vens às três da tarde, às duas já começo a ser feliz…", por imensa eternidade, por tempo indefinido e assimétrico, escureço como a noite que chega.
É aí que te sinto não meu. Prefiro esta descrição. De outra casa. De outros lugares que não este. De outras histórias que não as minhas e, todas as minhas viagens perdem o sentido, porque não chego a desembarcar em ti. Não coloco amarras e, não abeiro ao porto. Não te mostro as fotografias, não te leio postais, não rio contando as peripécias, as aventuras grandes e as pequenas. Não te conto de mim. E de tudo o que poderia, ainda, fazer.Não te consigo ensinar o valor do que não se vê...
Assim somos nós. Prontos para o encontro, mas longe na entrega. Com medo, com medo.
Nunca leste Paulo Coelho….  “os barcos estão mais seguros no cais mas, não foi para isso que construíram os barcos”… e eu, eu li demais. Desde sempre. Fazia corridas para a biblioteca da vila com 5, 6 anos. Aos 5 anos já lia na Igreja… Li demasiado. Li demais…
Um dia, talvez, como quase sempre, acabará a espera. Não porque pegues na chave da porta, pousada aqui do lado do computador e, resolvas entrar e sair várias vezes ao dia, mas, porque não entrarás mais! E, não te esperarei mais. Assim é o mundo do Amor não livre.
Nunca carreguei esse peso. Apenas conheço a consequência do acto. Não sei até hoje o que é carregar o fardo do que não aconteceu. Assumo a possibilidade de ser mais difícil de suportar.

Um dia, foi ontem, ou antes de ontem, ou, talvez antes. Não sei precisar. Nunca sabemos definir o tempo das lágrimas. Nem medir a espera e a ausência. Ainda que pudesse atrever-me a escrever sobre os temas,parti!
Fui, porque tinha uma chave para entregar. Uma mesa branca para colocar. Um Anjo da Guarda para rezar. Uma plantinha nova para colocar no canto da sala e regar.
Fui, porque há muito já tinha partido. Porque alguém batia para entrar e eu não abria a porta… Porque sou livre. Porque o Amor é livre. Porque….porque…(…) porque. Aparte disso, não lembro mais porque decidi partir. As decisões nunca são imediatas apenas aparentam ser.

Parti. Deixei de reconhecer a tua cor quando sorriste e, sem brilho falaste no caminho. E, sem Luz, não és nada. Sem mares misturados não seremos onda, não reconheceremos a praia, não chegaremos ao destino, não desprenderemos do cais.Navegar é preciso.E é urgente! Já o escrevi tantas vezes.  

O bom de tudo isto é que anoitece e, na manhã seguinte, bem cedo, o sol nasce de novo e, com ele, nós podemos recomeçar também. Com ou sem vento. Desde que tenhamos LUZ.
É o segundo milagre da Vida.
O primeiro...Ahhh! Esse nasce lá no fundo, junto à linha do horizonte, onde o infinito reconhece a magia das coisas boas e as transforma em vida.

L.Blue