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1 de julho de 2012

Porque se inventa (também) o amor.





Quando perguntei quem era o menino com os olhos bonitos, responderam-me do outro lado “conheço de vista…nunca reparei se era bonito”  as mulheres dizem coisas deste género:

Existe tudo mais que ainda me escapa…e um verso em branco à espera do futuro.”**

Há coisas que acontecem poucas vezes na vida. São raras. Mesmo raras. Rara é mesmo a palavra. E, por isso, quando acontecem, sabemos que chegam com bilhete só de ida.
A última vez, foram precisos apenas 5 minutos, talvez menos, e vieram anos preenchendo esses minutos, enchendo a vida, esvaziando os olhos…. Olhos que me que abriram o coração, a alma e me carimbaram vários vistos no passaporte. Depois fecharam-se os meus olhos.
Carimbo sem pátria, nem país… sem tamanho. Imenso, enorme, fazendo quilómetros por dentro do meu corpo pequeno.
Há demasiadas coincidências, para quem não acredita em coincidências, entre esses 5 minutos e que aconteceu há dias. Em segundos, a razão obstinada, a certeza, a objetividade confundiram-se, e a imagem cresceu, cresceu, cresceu, trazendo impulso, suspiros e imagens. A imagem (…)
Qual sonho noturno que nos acorda de manhã e essa tal sensação de que se teve esse alguém toda uma vida.
Olhava a tua foto sem querer e o coração sussurrava “meu amooor” … Baixinho, ternamente, com milhas indefinidas de carinho, enquanto o cérebro exclamava incompreensão, admiração, não entendimento!
Jogam-se perguntas e insuportáveis suposições nesses instantes. Questiona-se “E Se” vezes sem conta. 
Um disparate. 
Não repitas novamente “não sou ninguém”. Foste o milagre. Não “um”, foste “O”.
É fácil escrever quando se escreve a Verdade.
Simples.
Nua.
Inconsciente.
Sem passado que lhe valha.
Difícil é conter as palavras, porque querem ser ditas, explicadas (ou não), mas querem falar. E são tantas. São mesmo muitas.
Ler-te revelou um “verde” que não conhecia, uma visão de Santo Antão, lá de cima, húmido, com nuvens por perto, complexo, cheirando a café. Verde muito verde! Água fria, cascata escondida lá no meio… visão sem horizonte nem planície, tudo é alto, muito alto, perto do céu.
E, se sendo “tudo mais ainda me escapa” a intensidade faz de ti uma espécie de musa em alto mar, sobre a qual consigo escrever… faz sentido: és uma ilha!
Hoje, não saberia dizer quem sou. Sou tudo o que não era ontem e temo que a minha cor seja outra, também. Embriagada de um álcool que não bebo, de um cheiro que desconheço, de uma paisagem que não sinto há anos.
Fiquei no teu poema* sabendo que não me era destinado mas, ainda assim, a vida quis.
Quase sempre a vida é subtil e inesperada, mesmo acontecendo todos os dias. Repetida e insistentemente, todos os dias.
És bonito. Muito. Poderias ser menos, mas não. És assim.
Compensas a minha brutal capacidade de falar quando estou feliz (…) com frases curtas e objetivas e, uma vez por outra, passeias por frases de futuro e reticências pensativas. Quase poéticas. Talvez, terrivelmente poéticas, porque estou apaixonada…
Acabei de escrevê-lo. Uma e outra tecla batidas no computador e admiti…surpreendida, admiti…já o fiz. Já é passado. Alguns segundos separam o que não era do que sinto…e sou apaixonada. Sou alguém que é capaz de estar amando. Outra vez. E isso deve ser muito importante. Mesmo muito, muito importante…

L.Blue

**Letra/Musica No teu Poema -J. L. Tinoco

Depois, a saudade.

Senti saudade.


Como (apenas) se sente do que não se conhece, do sítio onde não fomos, do cheiro que não sentimos, da voz que não ouvimos.
Saudade.
Do beijo de boa noite contrastando com o apego do beijo de bom dia.
Do olhar dentro e por dentro, longo, como o riso das crianças.
Do toque no fundo da barriga enquanto desenhas com o indicador um círculo perfeito à volta do meu umbigo e não dizes nada, nada. Apenas: nada.
Senti saudade do futuro,
Do passado que não houve
Do que nunca fomos.
(Sentir assim é saudade)

Uma onda lenta, chegando devagarinho do fundo do horizonte, encostando á areia,
Desmaiando, morrendo num abraço de encontro.

E eu, senti saudade. Apenas, como se sente do que não se conhece, do sítio onde não fomos, do cheiro que não sentimos, da voz que não ouvimos.

Do beijo de boa noite. Do beijo de bom dia. De todos os beijos no entretanto.

Do nosso beijo depois.

Do círculo perfeito no meu umbigo.

Do silêncio sem palavras.

Do passado. Do futuro.

Do presente feito em abraço.

E, de repente, outra onda lá ao longe...

L.Blue