Quando perguntei quem era o
menino com os olhos bonitos, responderam-me do outro lado “conheço de
vista…nunca reparei se era bonito” as
mulheres dizem coisas deste género:
“Existe tudo mais que ainda me
escapa…e um verso em branco à espera do futuro.”**
Há coisas que acontecem poucas
vezes na vida. São raras. Mesmo raras. Rara é mesmo a palavra. E, por isso,
quando acontecem, sabemos que chegam com bilhete só de ida.
A última vez, foram precisos
apenas 5 minutos, talvez menos, e vieram anos preenchendo esses minutos,
enchendo a vida, esvaziando os olhos…. Olhos que me que abriram o coração, a
alma e me carimbaram vários vistos no passaporte. Depois fecharam-se os meus
olhos.
Carimbo sem pátria, nem país… sem
tamanho. Imenso, enorme, fazendo quilómetros por dentro do meu corpo pequeno.
Há demasiadas coincidências, para
quem não acredita em coincidências, entre esses 5 minutos e que aconteceu há
dias. Em segundos, a razão obstinada, a certeza, a objetividade confundiram-se,
e a imagem cresceu, cresceu, cresceu, trazendo impulso, suspiros e imagens. A
imagem (…)
Qual sonho noturno que nos acorda
de manhã e essa tal sensação de que se teve esse alguém toda uma vida.
Olhava a tua foto sem querer e o
coração sussurrava “meu amooor” … Baixinho, ternamente, com milhas indefinidas de
carinho, enquanto o cérebro exclamava incompreensão, admiração, não
entendimento!
Jogam-se perguntas e
insuportáveis suposições nesses instantes. Questiona-se “E Se” vezes sem conta.
Um disparate.
Não repitas novamente “não sou
ninguém”. Foste o milagre. Não “um”, foste “O”.
É fácil escrever quando se
escreve a Verdade.
Simples.
Nua.
Inconsciente.
Sem passado que lhe valha.
Difícil é conter as palavras,
porque querem ser ditas, explicadas (ou não), mas querem falar. E são tantas.
São mesmo muitas.
Ler-te revelou um “verde” que não
conhecia, uma visão de Santo Antão, lá de cima, húmido, com nuvens por perto,
complexo, cheirando a café. Verde muito verde! Água fria, cascata escondida lá
no meio… visão sem horizonte nem planície, tudo é alto, muito alto, perto do
céu.
E, se sendo “tudo mais ainda me escapa” a
intensidade faz de ti uma espécie de musa em alto mar, sobre a qual consigo
escrever… faz sentido: és uma ilha!
Hoje, não saberia dizer quem sou.
Sou tudo o que não era ontem e temo que a minha cor seja outra, também.
Embriagada de um álcool que não bebo, de um cheiro que desconheço, de uma
paisagem que não sinto há anos.
Fiquei no teu poema* sabendo que
não me era destinado mas, ainda assim, a vida quis.
Quase sempre a vida é subtil e
inesperada, mesmo acontecendo todos os dias. Repetida e insistentemente, todos
os dias.
És bonito. Muito. Poderias ser
menos, mas não. És assim.
Compensas a minha brutal
capacidade de falar quando estou feliz (…) com frases curtas e objetivas e, uma
vez por outra, passeias por frases de futuro e reticências pensativas. Quase
poéticas. Talvez, terrivelmente poéticas, porque estou apaixonada…
Acabei de escrevê-lo. Uma e outra
tecla batidas no computador e admiti…surpreendida, admiti…já o fiz. Já é
passado. Alguns segundos separam o que não era do que sinto…e sou apaixonada.
Sou alguém que é capaz de estar amando. Outra vez. E isso deve ser muito
importante. Mesmo muito, muito importante…
L.Blue
**Letra/Musica No teu Poema -J. L. Tinoco
