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30 de dezembro de 2012

And suddendly I felt...nothing








A música fala.Fala sempre. Mais alto. Mais dentro. Por onde as palavras não andam. Onde elas não cabem. 
O amor sabe de cor o que não se diz. Compreende o silêncio e sussurra-nos baixinho o caminho certo!

Não errei. Tu, também não! Ele disse-me que tinha de ser.
Busquei em ti algo diferente.
Fui na corrente do que escrevias. Foi aí que te amei... nas palavras que há muito deixaste de escrever.
E procurei por ti. Procurei por ti nessas palavras.
Mas, há semelhança de quase tudo, também elas foram pretérito perfeito...
Amor, ninguém te vai perguntar por mim.
Não existirei nas palavras dos outros. Na lembrança dos outros. Na casa dos outros.
-Se não me lembrares, não existirei.
Mas, hoje, com uma pontinha de vontade de chorar, tipo onda que se envolve em água lá no fundo do horizonte e ganha forma ao longo do espaço e, aproximando-se da areia já é enorme e rebenta com força, hoje! Compreendo o motivo! Posso até sorrir.  
Estarei dentro de ti quando te questionares sobre as coisas mais simples.

- Teria sido tão simples. Olhasses tu os sinais como se olha o por do sol. 
Se Ele aparecer como vais perceber a forma que escolheu para aparecer?!
Como vais compreender que não usou a mesma máscara, a mesma roupa, o mesmo penteado, a mesma pureza do branco. 
E se estiveres distraído com o tempo! E se tiveres o telefone desligado?! E se Ele te chamar mas não responderes?! (...) E, depois já não chamar outra vez?! (...)




Ele mostrou-me para lá do que se vê! E eis porque acredito em anjos. E eis porque acredito que tudo (absolutamente tudo!) acontece por um motivo! 
O meu Deus está aqui! Ensinando que tudo o que é da vida, é para ouvir com o coração. Desculpou-me por tudo. Até pela fraqueza, quando tudo o que queria era ser forte! Sorriu para mim e disse "Está tudo bem!"
-Amor, estar longe não é contrário de estar perto!
Estarei perto. 
Depois de ti, o amor vai chegar. 
Serei mais do que o corpo que foi teu.
Lembra-te do sussurro leve, junto ao ouvido, pertinho do coração (...) Depois, esquece tudo. Tudo!
Não serei nem cor. Nem Luz. Nem noite. Nem dia.
Não serei a tua manhã.
Não seremos.
É realmente urgente que interiorizes isso.
Será apenas um instante e tudo foi. Foi!
Foi.
Mas, a música, ela fica. Ela fala. Fala sempre! Mais alto. Mais dentro. Por onde as palavras não andam. Onde elas não cabem...E "não lembra de ti...".

L.Blue





6 de outubro de 2012

Reticências (...)


"s.f. Supressão ou omissão voluntária de uma coisa que poderia ou deveria ter sido dita: a própria coisa omitida (...)

Retórica Figura pela qual o orador, interrompendo-se, faz perceber o que não quer dizer expressamente.
S.f.pl. Gramática Sinal de pontuação, série de pontos (...) com que se marca essa omissão ou interrupção.
Sinónimo de reticência: interrupção e silêncio. "

Foram reticências  perpétuas.

Existem reticências perpétuas?!

Foram reticências perpétuas, tenho a certeza... 
Ou, talvez tenha exclamado.
Foge-me o significado da exclamação, não tenho dicionário e a minha língua misturou-se demasiado com a tua. 
Foram reticências, interrogações, exclamações. Faltou o ar outra vez. Quis escapar. Fugir. Viajar. 
Desejei um ponto final. Escrevi-o no sítio correcto. Alguém quis que não ficasse registado. 
Deus! Falta-me ar, outra vez! Não é chuva que está para cair, não é humidade elevada, não é calor de África, é ar de dentro! Meu AR! Sem vento, sem brisa, sem corrente. 
"Dja sta bom!"
Dancei contigo amor. 
Braços grandes, do tamanho de mim. Cintura pequena.
Mundo vazio. Apenas nós. Dancei.

-Define resistência!
-Define.

Quatro meses. Foram 93 dias de resistência. Guerra de novo. Batalha. Corpos caídos. Cansaço. Doença. Luta! Depois, nós..
Resisti. Resisti! I'm pretty much sure... 

Não esqueci as palavras duras. 
Meu coração sim... 
Telemovel caído. Número apagado. No Net. No FB. No Nothing.
Silêncio instalado. Raiva. Desapontamento. Tristeza. Ausência.
Quase Vida de novo, mas não, VIDA! Apenas.. vida...
Reticências outra vez. Interrogação.
Um dia, eu e "do outro lado" escrevemos :

Eu:   ...
Do outro lado: ...
Eu: ?
Do outro lado: ...!
Eu: !! ....
Do outro ado:  :-)

E, não foi preciso explicar-te que fiquei magoada. Que pequei por excesso de afecto...que pecaste por orgulho. Que me senti ofendida. Que não soubeste ler-me.  

Lembrei a frase da música do Rui Veloso "é mais forte o que nos une do que  o que nos separa" e, ainda que não seja assim, não pode ser outra coisa senão isso... 
Reticências. Quebra de pensamento. Realidade.

Realidade.

Seguimos na mesma rua com destinos diferentes. 
Um dia, escrevo-te um Guião e, qual pacotinho açucarado da Nicola: "Será o Dia!" .
Até lá, penso-te... 
não podes ser outra coisa senão isso.

L.Blue




25 de setembro de 2012

Sem coincidências...só para registar.


"O primeiro dia do resto das nossas vidas".... essa frase batida e retocada, cantada, feita poema, falada...sentida.
A mesma frase. O mesmo significado.
Hoje, depois das coincidências exactas, das circunstancias, da casualidade, da espera, do vidro grande fechado e da paisagem à espera, estamos juntos.
Prendi a respiração com medo e entreguei a mão aberta enquanto esperavas: mão estendida, levantada no ar na altura da barriga, com medo de cair vazia.
Suspirei e olhei-te de novo... já foram mil vezes.
"Damn, you're a cinema...I could watch you forever."
Mãos dadas com ternura fomos caminhando. Cócegas na palma da mão esquerda.
Sorrimos em mútuo consentimento.



L.Blue

23 de setembro de 2012

****


"Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo."

Mia Couto
Poema da despedida, no livro 
"Raiz de orvalho e outros poemas"


*Via Mia Couto (Facebook)

Meu Bem Querer



Meu Bem Querer,
Hoje olhei as minhas mãos. Estavam pousadas na mesa redonda sobre a toalha verde com bolinhas douradas. A minha mão direita segurava um cigarro. A outra, descansava sobre a mesa, distraída. E, distraídos, os meus olhos repararam que estavam envelhecendo... As minhas mãos estão envelhecendo.
Com elas, vou eu e todos os meus carinhos. Os meus dedos apertando os teus. E o tempo.

Corre o ano de 2012. Chegou Setembro outra vez.
(Tempo no entretanto. Tanto!)
-Esqueci-me de ti... foi sem querer.
Não te amo mais com paixão. Amo com Amor. Como se ama um filho que parte em viagem.
Esqueci-me de ti, mas não de nós.

Há uma grande diferença entre uma coisa e a outra.
Hoje, compraria uma prenda. Hoje faria uma festa no teu cabelo. Hoje faria imensas coisas. Mas hoje, foi ontem. Há muito tempo.

Meu Bem, não esqueci o essencial. Amo com o coração a imagem, a recordação, o que foi. E, amando o que foi, recordo a importância das coisas que já foram.
O Azul. O Imenso. A falta dele. A vontade de ser melhor. África e EU inteira de novo. Juntas.

Ouço "Don't you remember"* com o som da ventoinha ondulando frescura aqui do lado, tentando buscar um frio que não acontece porque reside em casa, lá longe... no Outono que agora começa, no Inverno que está para vir, nas noites frias à beira mar, no norte.
Aqui, nesta cidade fútil, de um país que tanto amo, peço a África que cuide de ti. Te trate bem. Te ofereça o que não vou mais oferecer-te. Que te acaricie com mãos sempre jovens... e que nunca deixe o teu coração sem amor.
Peço-lhe por nós, separados. E peço-lhe, separadamente, que nos trate bem.
"Se fosse fácil.... !"
And "Life goes on" just like you said BluEyes...



L. Blue


12 de agosto de 2012

Encontro de Despedida





Porque me olhas tão intensamente, tão demoradamente?Tão dentro?!
Estou a despedir-me devagarinho. Com tempo.Falando em silencio. Nessa linguagem que só o coração compreende.(...) E contei até três.Até dez. Até mil. Perdi os números possíveis. Ficou o tempo invisível. Ficou a cor.
Não sabíamos do dia seguinte. Nem do outro. Nem da semana ou mês que se seguiriam, fora daquele espaço. Desconhecia a incapacidade de voltar a escrever na minha língua, sem misturar com a tua, nas nossas meias frases. Histórias completas.
Sabia que era tempo de despedir-me. Que o teu violão não iria tocar, que iria cantar....que não te abraçaria "até amanhã", mas que no final da tarde, te olharia de novo e sorriria (para evitar chorar) dizendo Adeus.

A possibilidade é feita de vontade. Construir requer dedicação e força. Não se apreende o mundo fechando a janela do quarto. Fechando a porta. É preciso naufragar...é preciso navegar, é preciso coragem! É preciso Amor! Depois flutuar na sensação de consciência tranquila, de dignidade.
Amei um instante....
As mãos. O tamanho delas.
Os olhos fundos. A boca.
A língua nossa. "Ka bo fala… nha cretcheu, un fka pa chorá…"
Ritmo lento. Uma valsa.
Corpo na corpo. Mãos entrelaçadas.

Senti saudade de novo . Do que se conhece. Apenas, como se sente, do que se conhece!
Depois, fiz-te partir. Perdendo a Pátria de vez. A que já não conhecia, não desejava... mas sabia minha.

-Despedi-me devagar...muito devagarinho.
Até agora. Ainda agora...

L.Blue

* Musica/Letra The Gift* Album Primavera*Tema: Primavera

1 de julho de 2012

Porque se inventa (também) o amor.





Quando perguntei quem era o menino com os olhos bonitos, responderam-me do outro lado “conheço de vista…nunca reparei se era bonito”  as mulheres dizem coisas deste género:

Existe tudo mais que ainda me escapa…e um verso em branco à espera do futuro.”**

Há coisas que acontecem poucas vezes na vida. São raras. Mesmo raras. Rara é mesmo a palavra. E, por isso, quando acontecem, sabemos que chegam com bilhete só de ida.
A última vez, foram precisos apenas 5 minutos, talvez menos, e vieram anos preenchendo esses minutos, enchendo a vida, esvaziando os olhos…. Olhos que me que abriram o coração, a alma e me carimbaram vários vistos no passaporte. Depois fecharam-se os meus olhos.
Carimbo sem pátria, nem país… sem tamanho. Imenso, enorme, fazendo quilómetros por dentro do meu corpo pequeno.
Há demasiadas coincidências, para quem não acredita em coincidências, entre esses 5 minutos e que aconteceu há dias. Em segundos, a razão obstinada, a certeza, a objetividade confundiram-se, e a imagem cresceu, cresceu, cresceu, trazendo impulso, suspiros e imagens. A imagem (…)
Qual sonho noturno que nos acorda de manhã e essa tal sensação de que se teve esse alguém toda uma vida.
Olhava a tua foto sem querer e o coração sussurrava “meu amooor” … Baixinho, ternamente, com milhas indefinidas de carinho, enquanto o cérebro exclamava incompreensão, admiração, não entendimento!
Jogam-se perguntas e insuportáveis suposições nesses instantes. Questiona-se “E Se” vezes sem conta. 
Um disparate. 
Não repitas novamente “não sou ninguém”. Foste o milagre. Não “um”, foste “O”.
É fácil escrever quando se escreve a Verdade.
Simples.
Nua.
Inconsciente.
Sem passado que lhe valha.
Difícil é conter as palavras, porque querem ser ditas, explicadas (ou não), mas querem falar. E são tantas. São mesmo muitas.
Ler-te revelou um “verde” que não conhecia, uma visão de Santo Antão, lá de cima, húmido, com nuvens por perto, complexo, cheirando a café. Verde muito verde! Água fria, cascata escondida lá no meio… visão sem horizonte nem planície, tudo é alto, muito alto, perto do céu.
E, se sendo “tudo mais ainda me escapa” a intensidade faz de ti uma espécie de musa em alto mar, sobre a qual consigo escrever… faz sentido: és uma ilha!
Hoje, não saberia dizer quem sou. Sou tudo o que não era ontem e temo que a minha cor seja outra, também. Embriagada de um álcool que não bebo, de um cheiro que desconheço, de uma paisagem que não sinto há anos.
Fiquei no teu poema* sabendo que não me era destinado mas, ainda assim, a vida quis.
Quase sempre a vida é subtil e inesperada, mesmo acontecendo todos os dias. Repetida e insistentemente, todos os dias.
És bonito. Muito. Poderias ser menos, mas não. És assim.
Compensas a minha brutal capacidade de falar quando estou feliz (…) com frases curtas e objetivas e, uma vez por outra, passeias por frases de futuro e reticências pensativas. Quase poéticas. Talvez, terrivelmente poéticas, porque estou apaixonada…
Acabei de escrevê-lo. Uma e outra tecla batidas no computador e admiti…surpreendida, admiti…já o fiz. Já é passado. Alguns segundos separam o que não era do que sinto…e sou apaixonada. Sou alguém que é capaz de estar amando. Outra vez. E isso deve ser muito importante. Mesmo muito, muito importante…

L.Blue

**Letra/Musica No teu Poema -J. L. Tinoco

Depois, a saudade.

Senti saudade.


Como (apenas) se sente do que não se conhece, do sítio onde não fomos, do cheiro que não sentimos, da voz que não ouvimos.
Saudade.
Do beijo de boa noite contrastando com o apego do beijo de bom dia.
Do olhar dentro e por dentro, longo, como o riso das crianças.
Do toque no fundo da barriga enquanto desenhas com o indicador um círculo perfeito à volta do meu umbigo e não dizes nada, nada. Apenas: nada.
Senti saudade do futuro,
Do passado que não houve
Do que nunca fomos.
(Sentir assim é saudade)

Uma onda lenta, chegando devagarinho do fundo do horizonte, encostando á areia,
Desmaiando, morrendo num abraço de encontro.

E eu, senti saudade. Apenas, como se sente do que não se conhece, do sítio onde não fomos, do cheiro que não sentimos, da voz que não ouvimos.

Do beijo de boa noite. Do beijo de bom dia. De todos os beijos no entretanto.

Do nosso beijo depois.

Do círculo perfeito no meu umbigo.

Do silêncio sem palavras.

Do passado. Do futuro.

Do presente feito em abraço.

E, de repente, outra onda lá ao longe...

L.Blue