22 de setembro de 2013
Vida
Enquanto há vida em teus braços,
Abraça.
Enquanto há vida em tuas mãos,
Protege.
Enquanto há vida em teus pés,
Caminha.
Enquanto há vida em teu coração....
AMA!
Deixa o resto ser apenas inspiração.
-Tu, não és nada mais do que a VIDA que trazes....
L.Blue
9 de setembro de 2013
8 de setembro de 2013
Sentou e Ficou....
Quando a minha tristeza chegou
Eu achei que ela não viria mais.
Ela entrou e sentou no meu peito.
Nenhum corpo seria mais pesado.
Nenhum.
Há coisas que a tristeza nunca explica.
Por isso, também desta vez, ela utilizou apenas o silêncio.
Sentou no meu peito e…
Ficou!
- Achei que não a trarias outra vez até mim.
Mas, como quase sempre, trouxeste.
A tristeza chegou.
Desarrumou.
Abalroou.
Houve tanto desentendimento que quase falou!
Depois, certo dia, porque em meu colo nunca se demora…
Ela levantou.
Olhou.
Saiu de mim...
Sem bater à tua entrada,
ela entrou!
Sem aviso!
Sentou.
E,
ficou.
L.Blue
Pudesse
Pudesse descrever a tua ausência.
A falta do teu olhar pousado em mim.
O silêncio das palavras pensadas.
-Ar entrando pelo nariz
agarrando e torcendo meu peito como roupa para estendal….
Ausência tua.
Rua vazia.
Plateau deserto com mercado aberto e frutos esquecidos.
Casa cheia em dia de festa com lugares vazios.
Eu.
Aqui!
Local marcado. Definido. Exacto. Qual GPS programado.
Teu nome abr(a)çando-me.
Pudesse definir a tua ausência,
Maré vaza de mim …
L.Blue
A falta do teu olhar pousado em mim.
O silêncio das palavras pensadas.
-Ar entrando pelo nariz
agarrando e torcendo meu peito como roupa para estendal….
Ausência tua.
Rua vazia.
Plateau deserto com mercado aberto e frutos esquecidos.
Casa cheia em dia de festa com lugares vazios.
Eu.
Aqui!
Local marcado. Definido. Exacto. Qual GPS programado.
Teu nome abr(a)çando-me.
Pudesse definir a tua ausência,
Maré vaza de mim …
L.Blue
Todo o Amor...
Todo o amor tem de ser Honesto.
Uma utopia bem vinda...
Não existe Amor sem verdade.
A Verdade é o Amor em si!
Todo o Amor tem de ser Honesto!
Sonha junto. Inventa junto.
Que esquecimento algum te atropele.
(...)
Sê mais. Sê melhor ainda!
Todo o amor é verdade.
Sem isso, mil erros fatais...
Milhares de destinos sem volta..
Regresso algum.
Todo o Amor, tem de ser, pelo menos, Honesto!
L.Blue
Antecipação
Escrevo por antecipação.
Não sei escrever sem ser por antecipação.
Quando a alma me dói, não é alma. É o futuro da alma!
E quando me dói a alma...não me dói (apenas) a alma.
Doem todos os ossos com que me suspendo....
L.Blue
A Minha Rua
Percebi que habituei a minha "Rua" ao "Bom Dia"!
Isso é uma pequena conquista e uma grande alegria.
Ao fim de 18 meses já não encontro rostos fechados, olhos no chão e silêncios mudos.
O hábito nortenho de conferir "bons dias" logo de manhã, na rua, no café, na tabacaria, na bomba de gasolina.... o falar pelos cotovelos e agraciar as pessoas com "E hoje o que vai ser menina??!" como se fizéssemos parte do quotidiano familiar... Essa inexistência de afectos era mais dolorosa do que a saudade...
Hoje, ao descer a rua, ia tão apressada que não olhei para o outro lado....aí alguém gritou: "Braaaancaaa!"
"Branca" tornou-se numa palavra meiga e simbólica e é para mim o termo mais bonito de me apelidarem por estas bandas.
O Branca que eles me chamam quer dizer:
"Hey.....Bom Diaaaaa!Onde está o seu sorriso?" E...não tenho como disfarçar a alegria desse calor!
A vida faz-se assim, de ternuras simples e cores múltiplas abraçadas!
Sou muito feliz na minha "Rua", este pequeno país que me permite abraçá-lo como igual...
L.Blue
Vento Soprando Laranja No Ar
Vento soprando laranja no ar..
Teus olhos,
Vadios,
buscando o longe.
Cadeia de sonhos em expoente.
Alguma certeza inacabada.
(Ventos a mudar)
Aqui perto, um horizonte de penas suspensas.
A ida,
nascendo em mim outra vez.
Terra batida. Verão ao longe.
África cansada na exaustão da poeira acesa.
Laranja.
Como um quadro.
Longe. Sem tela.
Teus olhos.
Minha Terra.
L. Blue
9 de junho de 2013
Sul não tem horizonte
Não te amo como se ama. Não te amo como à saudade. Amo-te, só.
Nossa reinvenção é maior que o tamanho das coisas juntas.
Mais intensa que café preto amargo.
Total sedução e sabedoria fervorosa numa imensidade de feitios livres.
Não te amo preso. Amo-te assim.
Em liberdade.
E, não te prendo ausente, porque te quero, ainda,
sem fim.
(...)
Dignidade não tem preço.
Amor não tem tamanho.
Sul não tem horizonte...
L.Blue
14 de fevereiro de 2013
Não falta AMOR...falta AMAR!
"Time is gonna take my mindAnd carry it far away where I can flyThe depth of life will dimMy temptation to live for you
If I were to be aloneSilence would rock my tears'Cause it's all about love and I know betterHow life is a waving feather
So I put my arms around you, around youAnd I know that I'll be leaving soonMy eyes are on you, they're on youAnd you see that I can't stop shaking
No, I won't step backBut I'll look down to hide from your eyes'Cause what I feel is so sweetAnd I'm scared that even my own breath
Could burst as if it were a bubbleAnd I'd better dream if I have to struggle
So I put my arms around you, around youAnd I hope that I will do no wrongMy eyes are on you, they're on youAnd I hope that you won't hurt me
I'm dancing in the roomAs if I was in the woods with youNo need for anything but musicMusic's the reason why I know time still existsTime still exists, time still exists, time still exists
So I just put my arms around you, around youAnd I hope that I will do no wrongMy eyes are on you, they're on youAnd I hope that you won't hurt me
My arms around you, they’re around youAnd I hope that I will do no wrongMy eyes are on you, they're on youThey’re on you, my eyes"
6 de fevereiro de 2013
Dezembro
Algures em Dezembro.
Sonhei que escrevia. Era fácil.
Nas palavras, a subtileza, a
inteligência, o sentido exacto do que se quer dizer.
Sonhei que te escrevia.
E falava de mim. E do meu país.
E falava de mim. E do meu país.
Da saudade. Da relatividade da
distância. Da noção de probabilidade e de tudo o que tenho, ainda, para explicar.
Mantenho as palavras do nosso primeiro texto e “acredito em Anjos da Guarda”.
Mantenho as palavras do nosso primeiro texto e “acredito em Anjos da Guarda”.
Meu amor, perdi o entusiasmo. Sei
que depois disso vem a tristeza profunda e depois da tristeza vem, necessariamente,
o desamor…
Não sei se quero o desamor.
Sonhei-te! Sonhei-te por 220 dias, mais coisa menos coisa..
Mas, não fosse a intensidade do tempo e a sofreguidão do que não se possui!
Adiante!
Sonhei-te!
Sonhei-te! Sonhei-te por 220 dias, mais coisa menos coisa..
Mas, não fosse a intensidade do tempo e a sofreguidão do que não se possui!
Adiante!
Sonhei-te!
Fomos tudo o que não pudemos. E,
agora, podendo quase tudo, resta-nos o desamor do futuro próximo, ainda antes da
viagem, permanecendo pelo meu regresso.
Encontramo-nos aqui.
Sempre nos podemos encontrar aqui, onde os nossos nomes são cores e onde ninguém nos incomoda.
O local do nosso primeiro beijo. O único local onde parafraseamos o futuro e dissemos Amo-te.
Sempre nos podemos encontrar aqui, onde os nossos nomes são cores e onde ninguém nos incomoda.
O local do nosso primeiro beijo. O único local onde parafraseamos o futuro e dissemos Amo-te.
Talvez possamos amar-nos de novo
nas palavras ditas, através delas e, por elas....
A palavra dita perpetua-se.
A palavra dita perpetua-se.
De nós, nem um vestígio no mundo.
Nem mesmo o fruto falado. Nem tão pouco a recordação banal… muito para dizer
(…)
De nós, nada.
Fiz a mala e garanti o peso sem excesso da mercadoria.
Levo apenas o necessário. O que não pode ficar.
A viagem será longa, como desejei. E, sabias, também, que haveria de IR. Nunca te menti. Haveria de IR. E, desejo novamente essa ida.
Outro continente talvez…!
Índia no meu caminho. E, Índia no meu mapa de estrada.
Fiz a mala e garanti o peso sem excesso da mercadoria.
Levo apenas o necessário. O que não pode ficar.
A viagem será longa, como desejei. E, sabias, também, que haveria de IR. Nunca te menti. Haveria de IR. E, desejo novamente essa ida.
Outro continente talvez…!
Índia no meu caminho. E, Índia no meu mapa de estrada.
Só não posso ficar. A permanência incomoda-me e não cresço na passividade do passaporte.
Outro rosto, quem sabe.
Nunca a chave na porta e o chegar a casa com barulho no corredor, a azáfama em frente da TV ou, o filme de sábado à noite passando na tela. Nunca o dia normal.
Busco-me.
Nunca a chave na porta e o chegar a casa com barulho no corredor, a azáfama em frente da TV ou, o filme de sábado à noite passando na tela. Nunca o dia normal.
Busco-me.
-Não me encontro nessa casa! Não me encontro.
Encontrei-me em ti. Quase. Fica
melhor desse jeito. Quase me encontrei em ti!
Quase o desejo da azáfama, quase o barulho, quase um filme na tela, quase a chave na porta, quase o amor. Quase. Mas, não tinha de ser. E, se tivesse, teria ido na mesma. Mais tarde, mas teria.
Quase o desejo da azáfama, quase o barulho, quase um filme na tela, quase a chave na porta, quase o amor. Quase. Mas, não tinha de ser. E, se tivesse, teria ido na mesma. Mais tarde, mas teria.
- “Perdoa. Não posso ficar…” teria repetido e sentido, tal qual Florbela Espanca, procurando mais...
Apesar de tudo, escrevo e não
sofro, como no sonho, com a exactidão do que se sabe, do que se diz para
dentro.
É, inesperadamente (quase) fácil
recordar-te bonito, esperando do outro lado do portão… é quase reconfortante
saber-te esperando do outro lado do portão. A música dos Titãs “porque eu sei
que é amor” tocando e, o sofá enorme da sala.
As minhas mãos quentes e a tua
cabeça caída no meu colo. O jantar na varanda e as velinhas acendendo a noite.
Gosto de ver-te usar o talher… Muito para dizer e, mais ainda no entretanto.
Gosto, também, dessa expressão “mais no entretanto”. De pensar na serenidade da palavra E.N.T.R.E.T.A.N.T.O. Tempo que foi e, que não existe. Ou, que existe, mas não se palpa. Nunca busquei o significado da palavra no dicionário, mas conheço-a. Entretanto. Mia Couto talvez lhe chamasse Entremuito…
Gosto, também, dessa expressão “mais no entretanto”. De pensar na serenidade da palavra E.N.T.R.E.T.A.N.T.O. Tempo que foi e, que não existe. Ou, que existe, mas não se palpa. Nunca busquei o significado da palavra no dicionário, mas conheço-a. Entretanto. Mia Couto talvez lhe chamasse Entremuito…
Fomos tempo no entretanto…amor.
Fomos tempo.
Tempo.
L.Blue
4 de fevereiro de 2013
3 de fevereiro de 2013
Acordei triste. Sonhei com coisas
de criança. Coisas “não minhas”. Acordei e dormi triste.
Ainda não reconheço este quarto
como meu e, por isso, também estranhei o sítio onde estava. Primeiro,
julguei-me no quarto em casa dos meus pais, depois na outra casa no Palmarejo mas,
porque estava quente e tinha luz, percebi que estava na nova morada.
Triste (...) por essa pequenez dos actos. O desafecto. Essa falta de educação que,
felizmente, na minha terra não é frequente.
-Ah! Como sinto falta do “Bom
Dia Menina, sai um cafezinho?, naquele sotaque
nortenho!
Mas, é a minha África. Está
quente lá fora, apesar do dia estar um pouco ventoso. E, terei de sair para a
rua. O sol está aberto.
Sentei-me de imediato para
escrever, eram oito da manhã e sentei-me para escrever. O café ainda vai a meio
e acho que ainda não acordei definitivamente. Mas, tinha palavras comigo.
Quero comprar uns sofás. E uma
mesa de centro, branca, para colocar um anjo da guarda. A TV não me faz falta,
ainda por cima numa altura em que apenas transmitem notícias enfadonhas e
desanimadoras. Há quem lhes atribua verdade eu, considero-as desonestas. Não se planta uma flor dizendo que vai chover fortemente. Alguém dizia, "não importa vencer a guerra mas como se travam as batalhas".
Ontem acordei com uma mensagem
tua. Não esperava. Acordei contigo. Mas ontem, não estava sol como hoje.
Parecia Portugal. Dia cinzento e com rajadas de vento. As árvores, aqui na
frente, abanavam, abanavam…
Ouvem-se sempre as senhoras com
os pregões: “Banaaaaaaanaaaaa”, ”Papaaaaapaaaaiaaaaa” e as vozes das crianças,
ali mais ao fundo, na escola. Não se percebe o que dizem. Mas ouvem-se bem.
A casa ainda está muito vazia.
Mas sinto-a “leve, leve” como dizem os Santomenses. A pouco e pouco,
transformo-a em Casa.
Quantas vezes, esperei manhãs,
tardes, dias inteiros até escurecer, que viesses. Como hoje.
O dia começa solarengo. Ventoso,
mas cheio de sol. E espero que chegues. Como as crianças quando lhes prometemos
sorvete na Cruz de Papa e aguardam ansiosamente o momento. Depois, tal como
elas, quando a hora tarda e os gelados fecham, entristeço e, entristeço.
Se por horas a fio começo a ser
feliz (relembrando A. Saint-
Exupéry na sua frase “se me disseres que vens às três da tarde, às duas já
começo a ser feliz…", por imensa eternidade, por tempo indefinido e assimétrico,
escureço como a noite que chega.
É aí que te sinto não meu.
Prefiro esta descrição. De outra casa. De outros lugares que não
este. De outras histórias que não as minhas e, todas as minhas viagens perdem o
sentido, porque não chego a desembarcar em ti. Não coloco amarras e, não abeiro
ao porto. Não te mostro as fotografias, não te leio postais, não rio contando
as peripécias, as aventuras grandes e as pequenas. Não te conto de mim. E de
tudo o que poderia, ainda, fazer.Não te consigo ensinar o valor do que não se vê...
Assim somos nós. Prontos para o
encontro, mas longe na entrega. Com medo, com medo.
Nunca leste Paulo Coelho…. “os
barcos estão mais seguros no cais mas, não foi para isso que construíram os
barcos”… e eu, eu li demais. Desde sempre. Fazia corridas para a biblioteca
da vila com 5, 6 anos. Aos 5 anos já lia na Igreja… Li demasiado. Li demais…
Um dia, talvez, como quase
sempre, acabará a espera. Não porque pegues na chave da porta, pousada aqui do
lado do computador e, resolvas entrar e sair várias vezes ao dia, mas, porque
não entrarás mais! E, não te esperarei mais. Assim é o mundo do Amor não livre.
Nunca carreguei esse peso. Apenas
conheço a consequência do acto. Não sei até hoje o que é carregar o fardo do
que não aconteceu. Assumo a possibilidade de ser mais difícil de suportar.
Um dia, foi ontem, ou antes de
ontem, ou, talvez antes. Não sei precisar. Nunca sabemos definir o tempo das
lágrimas. Nem medir a espera e a ausência. Ainda que pudesse atrever-me a
escrever sobre os temas,parti!
Fui, porque tinha uma chave para
entregar. Uma mesa branca para colocar. Um Anjo da Guarda para rezar. Uma
plantinha nova para colocar no canto da sala e regar.
Fui, porque há muito já tinha
partido. Porque alguém batia para entrar e eu não abria a porta… Porque sou livre.
Porque o Amor é livre. Porque….porque…(…) porque. Aparte disso, não lembro mais
porque decidi partir. As decisões nunca são imediatas apenas aparentam ser.
Parti. Deixei de reconhecer a tua
cor quando sorriste e, sem brilho falaste no caminho. E, sem Luz, não és nada.
Sem mares misturados não seremos onda, não reconheceremos a praia, não
chegaremos ao destino, não desprenderemos do cais.Navegar é preciso.E é urgente! Já o escrevi tantas vezes.
O bom de tudo isto é que anoitece
e, na manhã seguinte, bem cedo, o sol nasce de novo e, com ele, nós podemos
recomeçar também. Com ou sem vento. Desde que tenhamos LUZ.
É o segundo milagre da Vida.
O primeiro...Ahhh! Esse nasce lá no fundo, junto à linha do horizonte, onde o infinito reconhece a magia das coisas boas e as transforma em vida.
L.Blue
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