Dizem que os maiores amores são aqueles que nos enraivecem. Que nos tiram do sério. Que nos fazem reavaliar, redesenhar e repensar os passos.
África é um desses amores.
Dei comigo insultando os azares, a pobreza, os irreais desarmamentos emocionais de que fui alvo vendo a fome e o luto, a dor e a ganância.
Depois, tempos depois, depois de respirar fundo e colocar o olhar lá no fundo da linha do horizonte, depois de sentir conforto e luxos e futilidades vãs, o sufoco pequenino que invade o coração, dizia-me “Onde estás?! Para onde foste?”
E, é por isso que prometo nunca mais. E, como num desses amores de raiva e apego, a vontade de partir, de chegar, é sempre maior.
África, não é apenas casa para quem aí nasce. Se assim fosse, Deus não cometeria este erro tantas vezes.
África não é apenas um continente, é uma espécie de sangue.
L.Blue
