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6 de maio de 2014

Sobre África




Dizem que os maiores amores são aqueles que nos enraivecem. Que nos tiram do sério. Que nos fazem reavaliar, redesenhar e repensar os passos.

África é um desses amores.
Dei comigo insultando os azares, a pobreza, os irreais desarmamentos emocionais de que fui alvo vendo a fome e o luto, a dor e a ganância.
Depois, tempos depois, depois de respirar fundo e colocar o olhar lá no fundo da linha do horizonte, depois de sentir conforto e luxos e futilidades vãs, o sufoco pequenino que invade o coração, dizia-me “Onde estás?! Para onde foste?”
E, é por isso que prometo nunca mais. E, como num desses amores de raiva e apego, a vontade de partir, de chegar, é sempre maior.
África, não é apenas casa para quem aí nasce. Se assim fosse, Deus não cometeria este erro tantas vezes.
África não é apenas um continente, é uma espécie de sangue.


L.Blue


1 de maio de 2014

Entretantos



As coisas que hoje são,
São entretantos de tempo
Que nos iniciam na espera
E nos mostram porquês.
Relógio parado na hora exacta de um Pendular em marcha
Do voo sobrevoando o Atlântico
espreitando Ilhas de Áfica.
Um acenar em formato Adeus
Um “Até Já” demorado.


As coisas que hoje são
Encerram pausas e horas
E silêncios murmurados
Em círculos de distância relativa
Daquilo que em nós abunda.
As coisas que hoje são
não têm nome.
São tempo e demora.
Rígido banco de madeira
Alguém lendo o jornal olhando o trilho
Outro alguém olhando a curva...

As coisas que hoje são
Sabem de cor o mapa mundo
A lentidão das horas vagas.
São sorriso desenhado
Espelhando retratos
Das coisas que hoje, sendo,
Ontem, foram,assim...
Sem forma nem princípio,
Nem repetição momentânea do que já se viu.

As coisas que hoje são,
Foram escolha,
Caminho de rotas soltas,
Exacto entardecer sobre o mar do Sul.

L.Blue