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30 de janeiro de 2014

Ao longe, tua imagem simplifica o mar.
Corre uma invasão de Azul sobre o frio de janeiro.
Nenhuma palavra alcança o sul.
Aqui perto, porém, as ondas refletem como espelhos.
Uma mensagem autoriza o pôr do sol.

L.Blue



Saudade



Senti Saudade.
Como (apenas) se sente do que não se conhece, do sítio onde não fomos, do cheiro que não sentimos,
da voz que não ouvimos. 
Saudade.
Do beijo de Boa Noite,
Contrastando com o apego do beijo de Bom Dia.
Do olhar dentro e por dentro.
Longo, como o riso das crianças.
Do toque no fundo da barriga enquanto desenhas com o indicador um círculo perfeito à volta do meu umbigo e não dizes nada...
Nada. Apenas, nada.
Senti saudade do futuro, 
Do passado que não houve
Do que nunca fomos. 
(Sentir assim é saudade)
Uma onda lenta,
chegando devagarinho do fundo do horizonte,
encostando à areia, 
desmaiando,
morrendo num abraço de encontro.
E eu, senti saudade.
(Apenas)
Como se sente do que não se conhece, 
Do sítio onde não fomos, 
Do cheiro que não sentimos, 
Da voz que não ouvimos.
Do beijo de Boa Noite.
Do beijo de Bom Dia.
De todos os beijos no entretanto.
Do nosso beijo, depois. 
Do círculo perfeito no meu umbigo. 
Do silêncio sem palavras.
Do passado.
Do futuro.
Do presente, (feito em abraço) 
E, de repente, outra onda
lá longe...

L.L.

Suspensa.



Deixei o prato de lado. As coisas e as músicas. 
Deixei palavras e letras. Aqui.
-Amei-te no exacto segundo da descida. “Deve ser difícil ser tão bonito….”
Atropelei-te sem querer. Não quis chegar de repente mas, não conheço outra rota.
Quis declarar isso de forma breve, permanente, intencional. Rápida! Mas, não consegui definir milésimos de tempo. Outra questão sem medida para fita métrica. Talvez alguém possa explicar-me devagarinho como se faz. Talvez...
Aterraste em mim e suspendeste-me a alma na paisagem do teu colo alto! Azul. Não tinha tamanho. Imenso. Imenso. Como se fosse o “Longe”. E isso, é bem capaz de ser muito para quem quer tudo!
Fui apenas eco enquanto te olhava. Não via senão eu mesma. E, por isso, te vi. E senti medo. Não posso voltar atrás em mim. Não se recuperam almas. Talvez vidas… mas, não almas suspensas no Azul do longe! E, amei-te naquele exacto momento.


L.Bue

29 de janeiro de 2014

Sobre os teus versos, meu poema.



Escrever em prosa permite-me falar com voz.
Dizem que escrevo como falo. Não sei.
Se tal for possível, então, junto com as minhas palavras envio a minha voz. 
Quando a voz falta, a paixão das palavras tende a transformar-me em poesia. Por favor,se, acidental (!), tal intensidade deve ser perdoada.
Vou falar-te devagar.Sento-me de novo à tua frente.
-Li tudo. Explicar o que se lê.... (?) Fui para dentro de ti. Como num quadro.
Li-te alguma vez os meus textos sobre telas brancas? Quadros, paisagens e lençóis brancos, muito brancos? Li?!
Não tivemos tempo...
Ou, não quisemos o Tempo.
Entrei dentro..
É propositado o pleonasmo.
Fui povoada por imagens do que nunca fui. Imagens de ti. “Imagens mesmo tuas!”, diria um qualquer amigo imaginário lá da banda.
Povoaste-me como uma ilha em naufrágio.
Eram braços e abraços. Eram gotas de chuva e calor de Santiago. Mãos. Óculos. Blazer preto e Jeans. Nervoso miudinho, dirias tu.
Era  o cinzento duma manhã junto à Assembleia e o Taxi parando ali por perto. Voo. Aterragem. Cartas. Palavras. Saudade. Espera. Pertença. Azul. Uma Deusa algures. Medo. Vontade. Escadas. Meu corpo sem tamanho para te ter. Balanço. Braços de novo. Voo em levitação gradual. Adeus.

Saí de ti como gota transpirada evaporando das mãos.
Não mais regressei. Fosse, regressar, depois de ti, possível.
Eterno arrependimento do que não se sabe do futuro. Talvez... Perhaps.
...Explicar o que se lê.
Dizer que o rebelde e urgente coração desfez-se em tremura e saudade. Saudade e tremura. Aflição e Palavra. Tempo e mar. Susto e espanto. Sorriu e chorou na ofegante tentativa de ser, outra vez, ser. Alguma coisa que fosse...ser,apenas, outra vez.
Que não sendo eu, ali(!) quando te lia, era sempre eu, ali.
Pudesse materializar o  ciúme.  Decretar o aumento da fasquia tolerável.
Afinal, o que significa esta  intimidade. Vou soletrar: I.N.T.I.M.I.D.A.D.E.
Anyway, o que significa INTIMIDADE?
Escrever pelas minhas mãos como se fossem tuas.Conhecer as tuas ruas. As esquinas. Instantes. As tuas sombras. Os teus hábitos. A lente, a câmara, o olho, a visão. As tuas presas. Os teus delírios. Papeis, telas, ausências.  
“Talvez nós dois”.... Outra música dizendo o que não sei, em português com açúcar, lá do Brasil.

O que dizer a 3 meses e meio de distância?
“Espero-te?”
Receio a frase batida “apetece-me pedir-te em casamento todos os dias”
Fosse, ao menos, eu, ali. E, as frases usadas, presente do indicativo.


Cuidado. Aqui,neste velho continente,pode v/lêr-se teu Nome
em todo o lado...
abra(a)çando-me.

Sobre os teus versos,
o meu poema.


L.Blue