Ao longe, tua imagem simplifica o mar. Corre uma invasão de Azul sobre o frio de janeiro. Nenhuma palavra alcança o sul. Aqui perto, porém, as ondas refletem como espelhos. Uma mensagem autoriza o pôr do sol.
-Amei-te no exacto segundo da descida. “Deve ser difícil ser tão bonito….”
Atropelei-te sem querer. Não quis chegar de repente mas, não conheço outra rota.
Quis declarar isso de forma breve, permanente, intencional. Rápida! Mas, não consegui definir milésimos de tempo. Outra questão sem medida para fita métrica. Talvez alguém possa explicar-me devagarinho como se faz. Talvez...
Aterraste em mim e suspendeste-me a alma na paisagem do teu colo alto! Azul. Não tinha tamanho. Imenso. Imenso. Como se fosse o “Longe”. E isso, é bem capaz de ser muito para quem quer tudo!
Fui apenas eco enquanto te olhava. Não via senão eu mesma. E, por isso, te vi. E senti medo. Não posso voltar atrás em mim. Não se recuperam almas. Talvez vidas… mas, não almas suspensas no Azul do longe! E, amei-te naquele exacto momento.
Se tal for possível,
então, junto com as minhas palavras envio a minha voz.
Quando a voz falta,
a paixão das palavras tende a transformar-me em poesia. Por favor,se, acidental (!), tal
intensidade deve ser perdoada.
Vou falar-te
devagar.Sento-me de novo à tua frente.
-Li tudo. Explicar o
que se lê.... (?) Fui para dentro de ti. Como num quadro.
Li-te alguma vez os
meus textos sobre telas brancas? Quadros, paisagens e lençóis brancos, muito
brancos? Li?!
Não tivemos tempo...
Ou, não
quisemos o Tempo.
Entrei dentro..
É
propositado o pleonasmo.
Fui povoada por
imagens do que nunca fui. Imagens de ti. “Imagens mesmo tuas!”, diria um
qualquer amigo imaginário lá da banda.
Povoaste-me como uma
ilha em naufrágio.
Eram braços e
abraços. Eram gotas de chuva e calor de Santiago. Mãos. Óculos. Blazer preto e
Jeans. Nervoso miudinho, dirias tu.
Era o cinzento duma manhã junto à Assembleia e o
Taxi parando ali por perto. Voo. Aterragem. Cartas. Palavras. Saudade. Espera.
Pertença. Azul. Uma Deusa algures. Medo. Vontade. Escadas. Meu corpo sem
tamanho para te ter. Balanço. Braços de novo. Voo em levitação gradual. Adeus.
Saí de ti como gota
transpirada evaporando das mãos.
Não mais regressei.
Fosse, regressar, depois de ti, possível.
Eterno
arrependimento do que não se sabe do futuro. Talvez... Perhaps.
...Explicar o que se
lê.
Dizer que o rebelde
e urgente coração desfez-se em tremura e saudade. Saudade e tremura. Aflição e Palavra. Tempo e mar. Susto e espanto. Sorriu e chorou na ofegante tentativa de
ser, outra vez, ser. Alguma coisa que fosse...ser,apenas, outra vez.
Que não sendo eu,
ali(!) quando te lia, era sempre eu, ali.
Pudesse materializar
o ciúme.
Decretar o aumento da fasquia tolerável.
Afinal, o que
significa esta intimidade. Vou soletrar:
I.N.T.I.M.I.D.A.D.E.
Anyway, o
que significa INTIMIDADE?
Escrever pelas
minhas mãos como se fossem tuas.Conhecer as tuas ruas. As esquinas. Instantes.
As tuas sombras. Os teus hábitos. A
lente, a câmara, o olho, a visão. As tuas presas. Os teus delírios. Papeis,
telas, ausências.
“Talvez nós
dois”.... Outra música dizendo o que não sei, em português com açúcar, lá do
Brasil.
O que dizer a 3
meses e meio de distância?
“Espero-te?”
Receio a frase
batida “apetece-me pedir-te em casamento todos os dias”.
Fosse, ao menos, eu,
ali. E, as frases usadas, presente do indicativo.
Cuidado. Aqui,neste velho
continente,pode v/lêr-se teu
Nome