Páginas

30 de janeiro de 2014

Saudade



Senti Saudade.
Como (apenas) se sente do que não se conhece, do sítio onde não fomos, do cheiro que não sentimos,
da voz que não ouvimos. 
Saudade.
Do beijo de Boa Noite,
Contrastando com o apego do beijo de Bom Dia.
Do olhar dentro e por dentro.
Longo, como o riso das crianças.
Do toque no fundo da barriga enquanto desenhas com o indicador um círculo perfeito à volta do meu umbigo e não dizes nada...
Nada. Apenas, nada.
Senti saudade do futuro, 
Do passado que não houve
Do que nunca fomos. 
(Sentir assim é saudade)
Uma onda lenta,
chegando devagarinho do fundo do horizonte,
encostando à areia, 
desmaiando,
morrendo num abraço de encontro.
E eu, senti saudade.
(Apenas)
Como se sente do que não se conhece, 
Do sítio onde não fomos, 
Do cheiro que não sentimos, 
Da voz que não ouvimos.
Do beijo de Boa Noite.
Do beijo de Bom Dia.
De todos os beijos no entretanto.
Do nosso beijo, depois. 
Do círculo perfeito no meu umbigo. 
Do silêncio sem palavras.
Do passado.
Do futuro.
Do presente, (feito em abraço) 
E, de repente, outra onda
lá longe...

L.L.

Sem comentários:

Enviar um comentário