9 de julho de 2011
Botões em casa
Nunca amei numa distância tão curta.
Mas, é tão difícil chegar aí.
Tão demorado chegarmos aqui.
Era apenas um café com mesa no canto, enquanto abrias a porta de vidro lá no fundo, e olhavas o piano através de mim, até te esbarrares neste espelho...
Qual a probabilidade de encontrar em alguém os mesmos defeitos, a mesma sede, os mesmos botões na casa da camisa…
Cabelo.
Boca.
Corpo.
Como uma foto minha. Aquela que já tem uns anos, mas onde ainda me vejo.
Vejo-me através de ti. Mas, mais do que isso, vejo-me em ti. E, mesmo assim, vejo-te melhor e maior do que sempre fui.
A voz. Os silêncios. As dependências. O som. O branco. As cores. As palavras. O momento. O sorriso. O palco. O sofá. O AZUL.
-Qual a probabilidade da nossa idade ser igual fora deste tempo?
O amor não devia ser tímido... Seria entrega, na palavra, no acto…O papel principal. Se eu o escrevesse, seria assim!
- Talvez até possa ser silencioso (à minha maneira), falar baixinho, encontrar-se às escondidas, sentar-se no chão, brincar como as crianças, fazer asneiras e, depois pedir desculpa... Talvez, possa ser tudo isso. Tipicamente pouco amadurecido. Totalmente do coração. Sem atestados de consciência. Pertença nossa.
Contigo esvaziei a vida “antes”.
Despertei para a vida depois.
-Hoje quero-te aqui.
Quero dormir contigo.
Despentear-te o cabelo e contar-te histórias, através das sombras solarengas que as persianas criam no tecto do quarto, por volta das dez da manhã.
Já cruzamos o limite do aceitável.
Já partimos a loiça.
E, já temos palavras para nós, numa comunicabilidade que roça a expressão do spot publicitário* daquela cerveja.
-Já chega desta distância, sim?
De esperar até ao final de semana. Do mês que vem. Da festa do João. Do aniversário da Rita. Da casa vazia.
-É preciso barulho!
Sento-me aqui e sorrio enquanto te observo. Sempre que te observo assim, com um ou dois metros de distância, faço amor contigo. Começo a amar-te no coração e, depois, amo-TE em cada pedacinho do que passa pelos meus olhos.
Conto-te os dedos das mãos e sei o que estão a tocar aí, pousados na barriga da tua perna. Conheço esse batimento de pé.
Mas, agora, para lá com isso!
-Chega-te aqui....
Ou somos os dois ou não somos nenhum…e pressinto chuva de verão nesta terra cor do sol.
Desaperta a camisa. Joga no chão. Estamos em casa.
L.Blue
4 de julho de 2011
3 de julho de 2011
Casa
Rodopias nos braços dela e adormeces na exaustão de um corpo.
Fechando os olhos sobre essa barriga, a imagem é a da terra vermelha e da chuva de verão. Nem a cor do meu cabelo. Nem a juba de leão. Nem abraços. Teu sonho começa no voo que parte de manhã. De barriga em barriga. De imagem em imagem. Sem cheiro. Sem pudor. Enquantos os teus filhos crescem dentro deste umbigo.Nem musica. Nem papel para escrita. Nenhum sinal.
Queira Deus nunca mais sentir a saudade que conheci.
Queira eu, nunca mais dançar em pontas.
Regresso da simplicidade do beijo repentino. Sem nexo. Sem momento próprio.
Retorno dessa não obrigatoriedade de se estar. De se demorar. De se ficar.
Queira eu saber-te sempre de cor.
Esmerar-me no bolo de chocolate e rir-me com a série de domingo à noite.
Sabedoria esperta do olhar dentro do olhar.
Do corpo dentro do corpo. Do empurra. Do "chega cá!". Do vou. Do fico. Do "não sei mais".
Sem o avião às exactas 6 horas e 55 minutos da manhã seguinte.
Queiras tu, a respiração junto ao pescoço, o perfume do frasco azul, a ponta do nariz frio e o lento café na varanda depois do jantar. E novos passos de dança...
Com simplicidade.
Apenas a simplicidade da calma. Do chegar. Dos lençois lavados. Da frescura da almofada que é a nossa. Da barriga que é, afinal de contas, a nossa casa.
Fiquemos assim.
Africa por perto.
8.000 km.
Nem mais de ti.
Nem menos de mim.
Seja ao menos como se queira.
L.Blue
Subscrever:
Mensagens (Atom)