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27 de fevereiro de 2014

*



Queria chorar-te um mar de lágrimas.
Nele ir e vir até ao fim
Um balão com ar e com força.
Nele voar até aí.
Queria o alívio das coisas boas.
O verde da cascata no meio do Azul.
O sabor das contradições e dos enganos,
Enquanto são enganos os nomes que sem querer pronunciamos
Queria chorar-te as ilusões e contar-te do vazio
Da Primavera anunciada a um 21 de qualquer mês.
Depois, rebentar como foguetes em noite de S.João.
Ah! Queria chorar-te um mar de lágrimas,
Pendurar-me no ramo da cerejeira a baloiçar.
Depois, nadar por aí.

Tua casa, minha estufa.
As coisas novas que hoje são.
“How wonderful life is now you’re in the world”.

Dizem que há um tempo para tudo.
Há apenas tempo para Ir.
Dentro de mim acaba-se a espera do mundo.
Debate-se,
rezinga,
faz birra,
bate o pé no chão.

Há tempo de ir e de chegar.
Dentro de mim,
esforço.
A mala inquieta.
O desatento sentir das esferas
Poemas descalços.
Salina inundada
Nem água nem mar.
Tempo de ir. Tempo de chegar.
Eu, aqui.
Nada meu.
Tudo perdido.
Do início ate ao fim.
Tudo perdido.
Nada meu.

Olho a mala.
Nada de muito, seria demasiado...
Do necessário apenas a vontade.
Ir.
Tempo de ir. Tempo de chegar.
Nada meu.
(...)

Que doçura tem a morte anunciada?
Paz.
Nenhuma.
Dizem que há um tempo para tudo.
Há apenas tempo de ir.
Para além disso, a notícia.
O desvendar das coisas novas.
O jardim na manhã de amanhã.
Para além disso,
o amanhã.

Se há um tempo para tudo,
Haveria de existir
tempo de se ficar.

E, aqui, há penas tempo de ir.

L.Blue









17 de fevereiro de 2014

Follow Your Dream.


Talvez











Talvez,
Hoje
Escreva
A
Poesia
Dos silêncios
Na mão aberta
Do teu caminho.
Seguro.
Pausado.
Sustenido.
Talvez,
Ainda hoje
Possa escrever
A natureza alheia
De quem encontra
Uma ilha
E voe lenta
Sobre a esfera
Das montanhas
No verde d'Assomada.
Talvez,
Ainda,
Hoje.
Talvez...



L.Blue
De cada vez que leio aquele poema estremeço.
Recordo cada milésimo de segundo daquele momento...
Fico no teu colo de novo.
As palavras têm essa magia. Devolvem-te!
Devolvem-te (para) mim.
E, entretanto, cada centímetro do meu corpo, estremece.
...a medida do teu polegar...
Não é poesia. É carne.
Estremeço em ti. Não contigo. Repara, é diferente. Estremeço, em, ti. Ponto.
Acho que devias escrever todos os dias.
Estou cheia de saudades. Saudades tuas.
De te saber perto. Ali, quase ao fim da rua. Sem barreira de Segurança... ao cimo da escada.
Soubesse ele que levava uma bomba dentro do peito e teria, pelo menos, pedido o Passaporte...
(adoro ver-te sorrir...como agora!)
É, são assim as palavras. Como as tuas. Estremecem e abalroam. Tipo avião que aterra no peito de quem espera.
Meu amor, posso chamar-te assim? Sem profanar o teu Amor?
Como chamo aos três pequeninos que inundam o meu coração? Posso?!
Aqui vai:
Meu amor, acho que devíamos encontrar-nos num país qualquer . Sem poesias.
Devíamos encontrar-nos e pronto!
Istambul, Praga, Viena...uma cidade qualquer. Marcar a data e IR.
Eu esperaria por ti e, tu, chegarias ansioso e “lindo de morrer”.
Depois, seria tua. Como não pude ser antes. Seria, tua.
Seria a Blue menina. E, seria um pouco mais que isso quando abrisse o mapa de territórios que ainda não vimos. Delineasse os trajectos da cidade. Depois, depois disso tudo: desenhava-te um coração.
...és a primeira pessoa com quem estaria disposta a partilhar uma viagem. Tenho medo das pessoas chatas que se consomem com pressas e não sabem dormir ou estar acordadas e não param para comer ou comem demasiado e não medem perigos ou então não gostam de ver e não vendo não saem de sítio nenhum...

Contigo. Vendo-te ali. Uma paz desconhecida. Alguém a quem não preciso explicar o que significam os números pequeninos de 1 a 147 do mapa do turista somewhere over the world.
És uma espécie de Casa na qual me conheço.  Não sei dizer isto de outra forma...
Território nacional de Blue .
Eu lírico.

-Meu amor, acho que devíamos comprar esse bilhete.
E, se, de repente, todas as cidades do mundo desejarem não ser mais visitadas?
O que farei com as saudades de ti? E os centímetros de corpo que querem ser teus?
O que farei com o papel e o lápis para o desenho?
"Os braços abertos á espera de se fecharem?" 
A boca, o umbigo, o cabelo solto?

...O que farei com as saudades de ti?
E a eterna sensação de ter profanado o amor....

L.Blue