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10 de junho de 2014

Desafundo



“Voltas?”

Como um mar, devagarinho enchendo o rio dos dias,
entro em ti e desafundo o sossego.
Nas horas vagas dos nossos dias somos instantes de magia.
Na ponta dos nossos dedos
um piano sobe e desce a todo o vapor.
A perfeição do teu corpo,
lençol de seda,
tua barriga (...) 

onde adormeço suspiros e te quero, entretanto.

Sou de ti mais do que do mundo.
Apenas no IR,
o desassossego.


L.Blue


Das coisas que disse,
Nenhuma palavra, ainda, entre nós,
Desenha o futuro
Ou alcança o passado.
Das coisas que disse,
Nenhuma palavra, ainda, impressiona a fadiga
Te afaga o cabelo ou,
te envolve nos braços.

Das coisas que disse,
Música,
Apenas.
(Oblivion, de novo, e o alcance das coisas vistas.
As eternas paisagens do monte alto,
E a ceifeira dos ventos frios.)

Das coisas que disse, ainda, apenas,
Instantes.
Nenhum silêncio abatido.
Nenhuma arma apontada ao lado esquerdo.
Nenhum disparo de amor...

Das coisas que disse, apenas, compassos ritmados de passos e cantos
Sussurrando o tempo, devagar, com a pressa de ser.
E, ainda, aqui,
Nas coisas que disse,
A música das horas.
No respirar exacto de um fole em suspenso.

Das coisas que disse, ainda, hoje,
Aqui
Para sempre.
Teu nome.
Teu corpo.
Teu pequeno mundo num balão do céu,
Caindo,
Gigante
Na planicie de um corpo em desalinho.


Das coisas que disse, ainda, nenhuma melodia completa.
Nada de nosso.
A espera ao alcance do que pode ser.
Na barriga, faminta, o atraso.
A esperança do que pode fazer-se...
E, nas palavras,
Tanto...
Apenas,
Tanto,
Do que o encontro outrora, fez.

Das coisas que disse,
Nenhuma palavra, ainda, reflecte a ausência das horas.
Porém,
Em todas elas,
A palavra dita,
Mastigando prazeres,
Alimentando os dias.

L.Blue