11 de setembro de 2011
Californication - Dear Karen
"Dear Karen, If you're reading this, it means I actually worked up the courage to mail it, so good for me. You dont know me very well, but if you get me started I have a tendency to go on and on about how hard the writing is for me. But this, this is the hardest thing I ever had to write. There's no easy way to say this so Ill just say it, I met someone. It was an accident; I wasnt looking for it, I wasnt one the make, it was a perfect storm. She said one thing and I said another. Next thing I knew I wanted to spend the rest of my life in the middle of that conversation.
Now there this feeling in my gut that she might be the one. She completely nuts in a way that makes me smile- highly neurotic, a great deal of maintenance required. She is you Karen, thats the good news.
The bad is that I don't know how to be with you right now, and that scares the shit out of me. Because if I am not with you right now I have this feeling we'll get lost out there. Its a big bad world full or twist and turns and people have a way of blinking and missing the moment.
The moment that could of changed everything.
-I dont know whats going on with us and I cant tell why you should waste a leap of faith on the likes of me. But damn you smell good, like home and you make excellent coffee!!!!
That's gotta count for something right?
Call me.
Unfaithfully yours,
Hank Moody"
I can't sing...
Não é a despedida que desespera. É a ausência dela.
Não é a palavra cega de raiva e rancor que nos bloqueia, é o silêncio.
Não é a "falta" que faz falta....é o amor!
É necessário uma boa discussão para alertar a mente dos perigos do não termos tempo para depois.
Esse depois que parece sempre tão seguro e tão infinito.
Enquanto houver uma música por tocar, um acorde adormecido, uma tela branca e passiva não iremos despertar.
Não encontraremos nem fadiga, nem cansaço, tão pouco o barulho, a música, a alegria da partilha, a serenidade dos risos soltos, a necessidade dos pensos rápidos no joelho...
Não teremos como curar a ferida por nos termos aventurado a trepar a cerejeira...não teremos como regressar. Não é a despedidada que doi.... É o não ter mais como voltar.
Porque é tarde e o inverno bateu nesta porta, leva este pedido até aos ouvidos do universo e transmite-lhe este meu desejo. É muito urgente. Conta-lhe rápido o que te peço e...relembra-lhe que continuo á espera.
"Preciso de um piano só para mim...subi-lo e descê-lo de olhos fechados. Som e dedos misturados. Duas mãos em abraços.Por dentro e por fora de mim. Sem viola. Sem Fado. Sem recordação. Sem saudade. Até a minha voz voltar.Esse trémulo instante, sem aviso prévio, em que ela retorna liberta e se faz ouvir, sem medo, com garra, com alma, de dentro...em direcção ao que só o coração compreende!
Depois, diz-lhe baixinho que é necessário que ele volte para que eu consiga cantar.
L.Blue
9 de julho de 2011
Botões em casa
Nunca amei numa distância tão curta.
Mas, é tão difícil chegar aí.
Tão demorado chegarmos aqui.
Era apenas um café com mesa no canto, enquanto abrias a porta de vidro lá no fundo, e olhavas o piano através de mim, até te esbarrares neste espelho...
Qual a probabilidade de encontrar em alguém os mesmos defeitos, a mesma sede, os mesmos botões na casa da camisa…
Cabelo.
Boca.
Corpo.
Como uma foto minha. Aquela que já tem uns anos, mas onde ainda me vejo.
Vejo-me através de ti. Mas, mais do que isso, vejo-me em ti. E, mesmo assim, vejo-te melhor e maior do que sempre fui.
A voz. Os silêncios. As dependências. O som. O branco. As cores. As palavras. O momento. O sorriso. O palco. O sofá. O AZUL.
-Qual a probabilidade da nossa idade ser igual fora deste tempo?
O amor não devia ser tímido... Seria entrega, na palavra, no acto…O papel principal. Se eu o escrevesse, seria assim!
- Talvez até possa ser silencioso (à minha maneira), falar baixinho, encontrar-se às escondidas, sentar-se no chão, brincar como as crianças, fazer asneiras e, depois pedir desculpa... Talvez, possa ser tudo isso. Tipicamente pouco amadurecido. Totalmente do coração. Sem atestados de consciência. Pertença nossa.
Contigo esvaziei a vida “antes”.
Despertei para a vida depois.
-Hoje quero-te aqui.
Quero dormir contigo.
Despentear-te o cabelo e contar-te histórias, através das sombras solarengas que as persianas criam no tecto do quarto, por volta das dez da manhã.
Já cruzamos o limite do aceitável.
Já partimos a loiça.
E, já temos palavras para nós, numa comunicabilidade que roça a expressão do spot publicitário* daquela cerveja.
-Já chega desta distância, sim?
De esperar até ao final de semana. Do mês que vem. Da festa do João. Do aniversário da Rita. Da casa vazia.
-É preciso barulho!
Sento-me aqui e sorrio enquanto te observo. Sempre que te observo assim, com um ou dois metros de distância, faço amor contigo. Começo a amar-te no coração e, depois, amo-TE em cada pedacinho do que passa pelos meus olhos.
Conto-te os dedos das mãos e sei o que estão a tocar aí, pousados na barriga da tua perna. Conheço esse batimento de pé.
Mas, agora, para lá com isso!
-Chega-te aqui....
Ou somos os dois ou não somos nenhum…e pressinto chuva de verão nesta terra cor do sol.
Desaperta a camisa. Joga no chão. Estamos em casa.
L.Blue
4 de julho de 2011
3 de julho de 2011
Casa
Rodopias nos braços dela e adormeces na exaustão de um corpo.
Fechando os olhos sobre essa barriga, a imagem é a da terra vermelha e da chuva de verão. Nem a cor do meu cabelo. Nem a juba de leão. Nem abraços. Teu sonho começa no voo que parte de manhã. De barriga em barriga. De imagem em imagem. Sem cheiro. Sem pudor. Enquantos os teus filhos crescem dentro deste umbigo.Nem musica. Nem papel para escrita. Nenhum sinal.
Queira Deus nunca mais sentir a saudade que conheci.
Queira eu, nunca mais dançar em pontas.
Regresso da simplicidade do beijo repentino. Sem nexo. Sem momento próprio.
Retorno dessa não obrigatoriedade de se estar. De se demorar. De se ficar.
Queira eu saber-te sempre de cor.
Esmerar-me no bolo de chocolate e rir-me com a série de domingo à noite.
Sabedoria esperta do olhar dentro do olhar.
Do corpo dentro do corpo. Do empurra. Do "chega cá!". Do vou. Do fico. Do "não sei mais".
Sem o avião às exactas 6 horas e 55 minutos da manhã seguinte.
Queiras tu, a respiração junto ao pescoço, o perfume do frasco azul, a ponta do nariz frio e o lento café na varanda depois do jantar. E novos passos de dança...
Com simplicidade.
Apenas a simplicidade da calma. Do chegar. Dos lençois lavados. Da frescura da almofada que é a nossa. Da barriga que é, afinal de contas, a nossa casa.
Fiquemos assim.
Africa por perto.
8.000 km.
Nem mais de ti.
Nem menos de mim.
Seja ao menos como se queira.
L.Blue
26 de junho de 2011
Sem saudade
Acordei desesperada.
Não encontro as tuas saudades no sítio delas.
Remexi tudo.
Abri as gavetas e gavetões do tal lado esquerdo e nada.
Procurei no sítio dos mimos.
Passei uma hora e 6 minutos a olhar a minha barriga.
Estou pasmada a olhar os dedos dos pés.
Nada nos braços.
Nada no fundo das costas.
Não sei das saudades de nós.
Pior ainda, não sei de ti em mim.
E se isso se confirmar amanhã de manhã não terei mais como lembrar-te.
Não saberei mais como sorrir-te.
Não me preocuparei mais contigo.
Para onde fogem as saudades que gostaríamos de sentir?
Como queria encontrá-las,
para as colocar delicadamente nas conchinhas das mãos.
Mas nem os meus dedos sabem delas.
L.Blue
Não encontro as tuas saudades no sítio delas.
Remexi tudo.
Abri as gavetas e gavetões do tal lado esquerdo e nada.
Procurei no sítio dos mimos.
Passei uma hora e 6 minutos a olhar a minha barriga.
Estou pasmada a olhar os dedos dos pés.
Nada nos braços.
Nada no fundo das costas.
Não sei das saudades de nós.
Pior ainda, não sei de ti em mim.
E se isso se confirmar amanhã de manhã não terei mais como lembrar-te.
Não saberei mais como sorrir-te.
Não me preocuparei mais contigo.
Para onde fogem as saudades que gostaríamos de sentir?
Como queria encontrá-las,
para as colocar delicadamente nas conchinhas das mãos.
Mas nem os meus dedos sabem delas.
L.Blue
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