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3 de julho de 2011

Casa


Rodopias nos braços dela e adormeces na exaustão de um corpo.
Fechando os olhos sobre essa barriga, a imagem é a da terra vermelha e da chuva de verão. Nem a cor do meu cabelo. Nem a juba de leão. Nem abraços. Teu sonho começa no voo que parte de manhã. De barriga em barriga. De imagem em imagem. Sem cheiro. Sem pudor. Enquantos os teus filhos crescem dentro deste umbigo.Nem musica. Nem papel para escrita. Nenhum sinal.
Queira Deus nunca mais sentir a saudade que conheci.
Queira eu, nunca mais dançar em pontas.
Regresso da simplicidade do beijo repentino. Sem nexo. Sem momento próprio.
Retorno dessa não obrigatoriedade de se estar. De se demorar. De se ficar.
Queira eu saber-te sempre de cor.
Esmerar-me no bolo de chocolate e rir-me com a série de domingo à noite.

Sabedoria esperta do olhar dentro do olhar.
Do corpo dentro do corpo. Do empurra. Do "chega cá!". Do vou. Do fico. Do "não sei mais".
Sem o avião às exactas 6 horas e 55 minutos da manhã seguinte.

Queiras tu, a respiração junto ao pescoço, o perfume do frasco azul, a ponta do nariz frio e o lento café na varanda depois do jantar. E novos passos de dança...
Com simplicidade.
Apenas a simplicidade da calma. Do chegar. Dos lençois lavados. Da frescura da almofada que é a nossa. Da barriga que é, afinal de contas, a nossa casa.

Fiquemos assim.
Africa por perto.
8.000 km.
Nem mais de ti.
Nem menos de mim.
Seja ao menos como se queira.



L.Blue

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