De cada vez que leio aquele poema
estremeço.
Recordo cada milésimo de segundo
daquele momento...
Fico no teu colo de novo.
As palavras têm essa magia.
Devolvem-te!
Devolvem-te (para) mim.
E, entretanto, cada centímetro do
meu corpo, estremece.
...a medida do teu polegar...
Não é poesia. É carne.
Estremeço em ti. Não contigo. Repara,
é diferente. Estremeço, em, ti. Ponto.
Acho que devias escrever todos os
dias.
Estou cheia de saudades. Saudades
tuas.
De te saber perto. Ali, quase ao
fim da rua. Sem barreira de Segurança... ao cimo da escada.
Soubesse ele que levava uma bomba
dentro do peito e teria, pelo menos, pedido o Passaporte...
(adoro ver-te sorrir...como
agora!)
É, são assim as palavras. Como as
tuas. Estremecem e abalroam. Tipo avião que aterra no peito de quem espera.
Meu amor, posso chamar-te assim?
Sem profanar o teu Amor?
Como chamo aos três pequeninos
que inundam o meu coração? Posso?!
Aqui vai:
Meu amor, acho que devíamos
encontrar-nos num país qualquer . Sem poesias.
Devíamos encontrar-nos e pronto!
Istambul, Praga, Viena...uma cidade qualquer.
Marcar a data e IR.
Eu esperaria por ti e, tu,
chegarias ansioso e “lindo de morrer”.
Depois, seria tua. Como não pude
ser antes. Seria, tua.
Seria a Blue menina. E, seria um
pouco mais que isso quando abrisse o mapa de territórios que ainda não vimos.
Delineasse os trajectos da cidade. Depois, depois disso tudo: desenhava-te um
coração.
...és a primeira pessoa com quem
estaria disposta a partilhar uma viagem. Tenho medo das pessoas chatas que se
consomem com pressas e não sabem dormir ou estar acordadas e não param para
comer ou comem demasiado e não medem perigos ou então não gostam de ver e não
vendo não saem de sítio nenhum...
Contigo. Vendo-te ali. Uma paz
desconhecida. Alguém a quem não preciso explicar o que significam os números pequeninos de 1 a 147 do mapa do turista somewhere over the world.
És uma espécie de Casa na qual me conheço. Não sei dizer isto de outra forma...
Território nacional de Blue .
Eu lírico.
-Meu amor, acho que devíamos comprar esse bilhete.
E, se, de repente, todas as cidades do mundo desejarem não ser mais visitadas?
O que farei com as saudades de ti? E os centímetros de corpo que querem ser teus?
O que farei com o papel e o lápis para o desenho?
"Os braços abertos á espera de se fecharem?"
A boca, o umbigo, o cabelo solto?
...O que farei com as saudades de ti?
E a eterna sensação de ter profanado o amor....
L.Blue
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