Páginas

29 de janeiro de 2014

Sobre os teus versos, meu poema.



Escrever em prosa permite-me falar com voz.
Dizem que escrevo como falo. Não sei.
Se tal for possível, então, junto com as minhas palavras envio a minha voz. 
Quando a voz falta, a paixão das palavras tende a transformar-me em poesia. Por favor,se, acidental (!), tal intensidade deve ser perdoada.
Vou falar-te devagar.Sento-me de novo à tua frente.
-Li tudo. Explicar o que se lê.... (?) Fui para dentro de ti. Como num quadro.
Li-te alguma vez os meus textos sobre telas brancas? Quadros, paisagens e lençóis brancos, muito brancos? Li?!
Não tivemos tempo...
Ou, não quisemos o Tempo.
Entrei dentro..
É propositado o pleonasmo.
Fui povoada por imagens do que nunca fui. Imagens de ti. “Imagens mesmo tuas!”, diria um qualquer amigo imaginário lá da banda.
Povoaste-me como uma ilha em naufrágio.
Eram braços e abraços. Eram gotas de chuva e calor de Santiago. Mãos. Óculos. Blazer preto e Jeans. Nervoso miudinho, dirias tu.
Era  o cinzento duma manhã junto à Assembleia e o Taxi parando ali por perto. Voo. Aterragem. Cartas. Palavras. Saudade. Espera. Pertença. Azul. Uma Deusa algures. Medo. Vontade. Escadas. Meu corpo sem tamanho para te ter. Balanço. Braços de novo. Voo em levitação gradual. Adeus.

Saí de ti como gota transpirada evaporando das mãos.
Não mais regressei. Fosse, regressar, depois de ti, possível.
Eterno arrependimento do que não se sabe do futuro. Talvez... Perhaps.
...Explicar o que se lê.
Dizer que o rebelde e urgente coração desfez-se em tremura e saudade. Saudade e tremura. Aflição e Palavra. Tempo e mar. Susto e espanto. Sorriu e chorou na ofegante tentativa de ser, outra vez, ser. Alguma coisa que fosse...ser,apenas, outra vez.
Que não sendo eu, ali(!) quando te lia, era sempre eu, ali.
Pudesse materializar o  ciúme.  Decretar o aumento da fasquia tolerável.
Afinal, o que significa esta  intimidade. Vou soletrar: I.N.T.I.M.I.D.A.D.E.
Anyway, o que significa INTIMIDADE?
Escrever pelas minhas mãos como se fossem tuas.Conhecer as tuas ruas. As esquinas. Instantes. As tuas sombras. Os teus hábitos. A lente, a câmara, o olho, a visão. As tuas presas. Os teus delírios. Papeis, telas, ausências.  
“Talvez nós dois”.... Outra música dizendo o que não sei, em português com açúcar, lá do Brasil.

O que dizer a 3 meses e meio de distância?
“Espero-te?”
Receio a frase batida “apetece-me pedir-te em casamento todos os dias”
Fosse, ao menos, eu, ali. E, as frases usadas, presente do indicativo.


Cuidado. Aqui,neste velho continente,pode v/lêr-se teu Nome
em todo o lado...
abra(a)çando-me.

Sobre os teus versos,
o meu poema.


L.Blue

Sem comentários:

Enviar um comentário