Senti saudade.
Como (apenas) se sente do que não se conhece, do sítio onde não fomos, do cheiro que não sentimos, da voz que não ouvimos.
Saudade.
Do beijo de boa noite contrastando com o apego do beijo de bom dia.
Do olhar dentro e por dentro, longo, como o riso das crianças.
Do toque no fundo da barriga enquanto desenhas com o indicador um círculo perfeito à volta do meu umbigo e não dizes nada, nada. Apenas: nada.
Senti saudade do futuro,
Do passado que não houve
Do que nunca fomos.
(Sentir assim é saudade)
Uma onda lenta, chegando devagarinho do fundo do horizonte, encostando á areia,
Desmaiando, morrendo num abraço de encontro.
E eu, senti saudade. Apenas, como se sente do que não se conhece, do sítio onde não fomos, do cheiro que não sentimos, da voz que não ouvimos.
Do beijo de boa noite. Do beijo de bom dia. De todos os beijos no entretanto.
Do nosso beijo depois.
Do círculo perfeito no meu umbigo.
Do silêncio sem palavras.
Do passado. Do futuro.
Do presente feito em abraço.
E, de repente, outra onda lá ao longe...
L.Blue
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