Quando sorrimos não entramos já no espaço de quem nos faz sorrir?
Do que nos faz pensar brevemente que o imenso é tudo o que está ali…na brevidade do momento?
Parei no outro dia numa praça no centro da cidade. E deparei-me com as marcas de velhice de algumas pessoas, e o ar alegre que lhes devolvia luz e brilho, num ameno jogo de cartas.
Ao lado brincavam miúdos de seis, sete, oito anos… pensei que o futuro é apenas a distância entre o sorriso aberto daqueles velhos na praça, e os risos espalhados por aqueles miúdos.
É tangível a separação entre mim e o que encontrei. Começo agora uma vida, embora tenha 30 anos para trás, e tudo me parece incerto. Cada passo certo é preenchido com medo, mas mesmo assim, lá temos de o dar.
Precisava de alguma distracção, de uma breve suspensão do peso que a vida por vezes nos faz sentir.
Daquela distância entre os miúdos e os velhotes da praça.
Encostei-me junto a um candeeiro alto, e deixei-me ficar a ver. Procurei um cigarro…eu que não costumo fumar!
Não encontrei… Foi então que lhe pedi:
“ Desculpe…tem um cigarro…”
“Claro meu rapaz! Aqui está…”.
“Obrigado!”.
“Quem gosta de cartas, não é bom pai de família”…e riram todos novamente.
Sentei-me no entusiasmo do riso solto no ar, e senti-me em casa. Na minha casa, quando abro todas as janelas e deixo o sol entrar.
Jogavam com a dureza afincada de quem tem de ganhar, mas mais do que isso com a vontade de serem mais espertos que os outros!
Por vezes, secavam os olhos, continham lágrimas…velhice, talvez! Porém, era essencialmente água pura de olhos pequenos cheios de risos e histórias para contar.
Fiquei por ali, sem muito para lhes dizer. De repente, ele fez aquela jogada! Ás de copas em cima da mesa….arrasou com o jogo dos outros e sacou três pontos.
Riu como um doido! Os miúdos pararam para o ouvir. Levantei-me.
“Boa jogada!” tive de dizer...
“É meu bom rapaz, ganhar com Ás de copas dá-nos anos de vida….muda tudo”, e sorriu mais uma vez enquanto fechava o baralho e o pousava em cima da mesa. Terminara o jogo.
Fui para casa a pensar no jogo de cartas… e, curiosamente naquela sensação entranhada em mim de que tudo parecia certo.
Mais um dia, e outro mais… e lembrava-me de dar um pulo até à praça, ver como ia o jogo, e sorria por dentro de mim. Sacanas, pensava eu, aquilo é que é vida!!!
Mas o tempo foge-nos com tanta facilidade, e no final do dia, já tinha passado outra oportunidade. Aquecia-me sentir alguma paz durante a noite. Não pensar no empréstimo do banco, nos telhados por compor, nos braços enroscados em mim, que ainda não tinha na minha cama…
Na semana passada passei por lá, a caminho de um trabalho de publicidade. Resolvi parar e ver como andavam os “sacanas da boa vida”.
Lá me encostei um pouco, mas acabei por me aproximar.
Estavam muito calados. As cartas pousadas. Baralho acertado. Apenas três jogadores.
“Então, como vai isso? Falta alguém para jogar? Isto hoje está sossegado…”
Os miúdos não estavam…pouco barulho, pouca felicidade, sempre digo!
“Falta-nos uma carta crucial do baralho…”.
Sorri…. estes velhotes têm um sentido de humor….isto é que é vida!
Ouviam-se as folhas das árvores serem arrastadas pelo vento. Mas nada de risos.
Não sei porque razão senti um vazio…pressenti o desastre. Hoje não lhe pediria mais um cigarro, e não veria nenhuma jogada igual.
“Bom pai! Bom pai de família…” “Deixou-nos um Às de copas, e o som de um riso alto que não deixa existir distância.”
Agora pergunto mais uma vez, quando sorrimos não entramos já no espaço de quem nos faz sorrir…como diz Richard Bach, se quisermos realmente estar com alguém, não estaremos já lá?
Eu tenho o meu Ás de copas apertado nas mãos! E um sorriso para quem quiser entrar...que hei-de espalhar em outras praças.
Do que nos faz pensar brevemente que o imenso é tudo o que está ali…na brevidade do momento?
Parei no outro dia numa praça no centro da cidade. E deparei-me com as marcas de velhice de algumas pessoas, e o ar alegre que lhes devolvia luz e brilho, num ameno jogo de cartas.
Ao lado brincavam miúdos de seis, sete, oito anos… pensei que o futuro é apenas a distância entre o sorriso aberto daqueles velhos na praça, e os risos espalhados por aqueles miúdos.
É tangível a separação entre mim e o que encontrei. Começo agora uma vida, embora tenha 30 anos para trás, e tudo me parece incerto. Cada passo certo é preenchido com medo, mas mesmo assim, lá temos de o dar.
Precisava de alguma distracção, de uma breve suspensão do peso que a vida por vezes nos faz sentir.
Daquela distância entre os miúdos e os velhotes da praça.
Encostei-me junto a um candeeiro alto, e deixei-me ficar a ver. Procurei um cigarro…eu que não costumo fumar!
Não encontrei… Foi então que lhe pedi:
“ Desculpe…tem um cigarro…”
“Claro meu rapaz! Aqui está…”.
“Obrigado!”.
“Quem gosta de cartas, não é bom pai de família”…e riram todos novamente.
Sentei-me no entusiasmo do riso solto no ar, e senti-me em casa. Na minha casa, quando abro todas as janelas e deixo o sol entrar.
Jogavam com a dureza afincada de quem tem de ganhar, mas mais do que isso com a vontade de serem mais espertos que os outros!
Por vezes, secavam os olhos, continham lágrimas…velhice, talvez! Porém, era essencialmente água pura de olhos pequenos cheios de risos e histórias para contar.
Fiquei por ali, sem muito para lhes dizer. De repente, ele fez aquela jogada! Ás de copas em cima da mesa….arrasou com o jogo dos outros e sacou três pontos.
Riu como um doido! Os miúdos pararam para o ouvir. Levantei-me.
“Boa jogada!” tive de dizer...
“É meu bom rapaz, ganhar com Ás de copas dá-nos anos de vida….muda tudo”, e sorriu mais uma vez enquanto fechava o baralho e o pousava em cima da mesa. Terminara o jogo.
Fui para casa a pensar no jogo de cartas… e, curiosamente naquela sensação entranhada em mim de que tudo parecia certo.
Mais um dia, e outro mais… e lembrava-me de dar um pulo até à praça, ver como ia o jogo, e sorria por dentro de mim. Sacanas, pensava eu, aquilo é que é vida!!!
Mas o tempo foge-nos com tanta facilidade, e no final do dia, já tinha passado outra oportunidade. Aquecia-me sentir alguma paz durante a noite. Não pensar no empréstimo do banco, nos telhados por compor, nos braços enroscados em mim, que ainda não tinha na minha cama…
Na semana passada passei por lá, a caminho de um trabalho de publicidade. Resolvi parar e ver como andavam os “sacanas da boa vida”.
Lá me encostei um pouco, mas acabei por me aproximar.
Estavam muito calados. As cartas pousadas. Baralho acertado. Apenas três jogadores.
“Então, como vai isso? Falta alguém para jogar? Isto hoje está sossegado…”
Os miúdos não estavam…pouco barulho, pouca felicidade, sempre digo!
“Falta-nos uma carta crucial do baralho…”.
Sorri…. estes velhotes têm um sentido de humor….isto é que é vida!
Ouviam-se as folhas das árvores serem arrastadas pelo vento. Mas nada de risos.
Não sei porque razão senti um vazio…pressenti o desastre. Hoje não lhe pediria mais um cigarro, e não veria nenhuma jogada igual.
“Bom pai! Bom pai de família…” “Deixou-nos um Às de copas, e o som de um riso alto que não deixa existir distância.”
Agora pergunto mais uma vez, quando sorrimos não entramos já no espaço de quem nos faz sorrir…como diz Richard Bach, se quisermos realmente estar com alguém, não estaremos já lá?
Eu tenho o meu Ás de copas apertado nas mãos! E um sorriso para quem quiser entrar...que hei-de espalhar em outras praças.
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