- Não! Não sinto sequer que alguma vez tenha chegado a ganhar.
Por isso, acho que não posso sentir que perdi.
Sinto esta coisa chamada sensação de impossibilidade E é estranho, porque ela é pacífica. Passiva até!
E nunca gostei deste sentir sem sentir.
Como se não tivesse sabido de nada.
Como se não tivesse magoado cá dentro.
Como se ainda fosse tudo possível, apenas mais distante. Apesar desta proximidade tão maior do que ontem.
Durante o “Show” no anfiteatro, caiu uma pena das plumas que usavas.
Andou, rodopiou, voltou a voar. Pousou perto de mim. Fugiu de novo. E, depois passou bem em frente aos meus olhos.
Lancei a mão no ar e agarrei-a!
- Ela provocou!
-Não queria!
Mas acertou mesmo dentro de mim!
Não tive como não a agarrar com força…
Finalmente conheci a tua cor. Encarnado.
Um vermelho vivo! E, tive receio que o meu coração tivesse deixado de ser azul… tive realmente muito medo.
Guardei-a comigo. E, fazem um bonito par. De cores intensas.
Porém, não as imagino misturadas. Apenas, juntas na sua total perfeição. De cor realmente intensa.
-Misturadas, teriam um tom diferente que não combina nem comigo, nem contigo.
As nossas cores são livres. Com essa liberdade de mar e sangue sem rédeas… livre como o pensamento.
E o meu, que pensamento livre tenho eu, que não me basta o que vejo.
E é tanto mais o que eu procuro em ti.
Mais do que o salto na dança, as mãos presas na cintura enquanto me seguram no ar…
Tanto mais do que aquilo que ainda tive.
Nunca um texto foi tão demorado.
Só me lembra a tal frase “como dizer um coração fora do peito…meu amor transbordou e eu…sem navio…”**
Faz muito vento nesta ilha. 3 dias!
Três dias de vento.
Sobra-nos o sol aberto quando resolve aparecer.
É o bastante para mim, breve ilusão de sol quente pelo corpo todo. Apenas o suficiente para aquecer enquanto o vento sopra e faz frio.
Ouço Bethania. Mar ali à frente. Sol a aparecer só quando lhe apetece.
Sensação de impossibilidade forte, outra vez.
Sei que chegas daqui a 30 minutos e lembro uma frase do “Principezinho”, porque já começo a ser feliz. E quanto mais se aproxima esse espaço de tempo mais inquieta fico (…) apesar de ao chegares, não te sentares mais perto, apenas num lugar onde me podes olhar.
E é sempre assim que ficámos. Num olhar longo e profundo.
Vale a pena... Descobri o verde escondido no fundo dos teus olhos.
É quase uma tela que se aprimora.
L. Blue
** Mafalda Arnauth - Flor de Verde Pinho

Cheguei a pensar que se entrar não mais vou sair...
ResponderEliminarApesar de que quem livre ama livre é! É muito fácil ficar preso nas tuas palavras e tentar imaginar o que pensas, pois é desconcertante a dúvida no quê ou em quem...
A velocidade com que lapidas as palavras chega a ser algo estonteante, eu diria quase impossivel de acompanhar! Se eu caminhasse contigo iria ver-te de costas desapareceres onde o ceu e o azul do mar se tocam e se confundem...
Tenho adorado as tuas palavras apesar do sofrimento!
Ass: Paul
:)))) Na Vida encontramos o sofrimento várias vezes...Os textos nem sempre são "autobiográficos"...nem sempre se referem a alguém em especial...
ResponderEliminarO bom de escrever é essencialmente poder captar pequenas circunstancias do dia a dia, pequenos momentos e transformá-los...Por vezes, algumas coisas acontecem comigo, outras...vejo-as por aí :)) Outras, simplesmente surgem dentro de mim..sem razão aparente! Tento que as "mensagens" sejam sempre de esperança e felicidade...acreditando que partilhas sofridas, por vezes "alertam" quem lê para valorizar o que tem!
Obrigada pelas tuas palavras.
L.Blue
Agora revejo o medo que senti ao entrar por esta porta... Mas como não tenho medo de viver e por mais medo de sofrer que tenha, é isso que me faz sentir, e naturalmente viver...
ResponderEliminarPosso dizer-te que a tua mente deixa-me curioso, fascina-me a tua universalidade, de sentimentos, vivências e mesmo daquelas que nunca sentis-te mas que vives-te sem mais ninguem saber, e por vezes partilhas aqui, uma poeira, um instantâneo dessas aventuras e desventuras, apenas uma poeira pq nem tudo é para ser partilhado, pq ele há coisas que guardamos para nos, e que apenas o "nosso" deep blue é capaz de entender pq tem que ser assim...!
O sofrimetno é a marca de que a experiência vivida teve/tem uma marca importante na nossa pessoa, e apesar de nos fazer sentir "down" momentaneamente, tambem é ele que nos mostra aquilo que nos somos!
Obrigado tu pelas tuas palavras
Ass: Paul