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3 de novembro de 2009

Sobre pais...sobre filhos...resgatei um artigo ....

Mais partilha…mais pais….


E cá estou eu, sentada nesta mesma cadeira, depois de um ano de ausência, cheia de saudades de vos ver por aí, de vos ouvir no gabinete, de vos espreitar nos recreios….de vos ajudar quando precisam…

Quando me pediram mais um “tema “ para o jornal, fiquei sem ideias…mas depois, distraída a olhar pela janela vi-vos a andar, a correr, a falar e senti o quanto me parecem “soltos” por aí….Sinto-vos “soltos por aí”, quais cavalos lindos e selvagens que nos coroam a memória quando pensamos em liberdade….mas a verdade é que … parece-me que lá em casa se preocupam demasiado com números….tipo “aqueles que aparecem nos testes de avaliação”, e vos resumem a uma nota de 0 a 20….a um “satisfaz”…. ou, a um “não satisfaz bem”, que ainda não percebo realmente o que significa.

Compreendo que dedicação e eficiência devem estar presentes em tudo o que se faz, mostrando como a parceria e a colaboração são importantes para enfrentar desafios, mas que nem sempre esta soma de factores tem um resultado acima de zero, o que em linguagem matemática significaria: positivo, lá isso é bem verdade!

Gostava de vos ver livres, com limites firmes, onde não pudessem perder-se nos caminhos, onde estivesse garantido o vosso desenvolvimento pessoal e social harmonioso e equilibrado, e onde os vossos pais vos olhassem de longe cuidando que não tropeçassem. E que não coubesse sempre à escola tratar das vossas feridas quando caiem!

Estes actos de pais preocupados, presentes, “Pais de imensa Partilha”, aliados ao imenso carinho e afecto sem medida, resultariam numa aprendizagem de maior qualidade. Desenvolvendo a capacidade de expressão afectiva, a auto-estima, a segurança, a imaginação, a capacidade criadora, a capacidade de expressão corporal, a socialização….sim porque, quando nos sentimos protegidos em boa dose e medida, sentimo-nos também mais soltos dentro do nosso corpo.
Era sobre isto que vos queria falar… e se acharem que vale a pena…quem sabe, não pensam um bocadinho nisto!

Escrevi este pequeno texto....imaginei que todos os filhos gostariam de dizer estas palavras...

.............

Pai,


Serei feliz se me olhares e me deres a mão quando estou triste...


Ficarei sossegado quando aceitares que erraste, e me fizeres entender
que também eu o posso fazer...


Serei forte se me mostrares que também eu consigo construir a partir do pouco que exista...


Acima de tudo,
Tornar-me-ei um homem livre
se me deixares caminhar com os meus pés.


E...não tenhas receio de dizeres que me amas,
crescerei confiante de que não estou sozinho.

L. Blue

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